“Em alguns momentos da história, ficção e realidade parecem se confundir. Essa afirmação é especialmente verdadeira quando o personagem em questão é Walt Disney (1901-1966). O mínimo que se pode dizer sobre ele é que foi uma figura polêmica, ainda hoje fonte de controvérsias. Exemplo disso é a versão de que seu corpo está congelado, à espera de progressos na medicina que, no momento certo, trarão à vida novamente o mago do entretenimento. Além de ter sido um dos principais empresários da indústria cultural do século XX, ele se envolveu no complexo jogo da política americana e internacional.” - Matéria no site da revista História Viva.

Tem um amigo meu que vai chiar lendo um troço desses.

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OPERETA INDEPENDENTE, AÍ VAMOS NÓS!

Cavalo dado não se olha os dentes, né mesmo?

Foi assim que eu encarei ser presenteado pela minha cunhada com um ingresso para o primeiro dia do FMI – Festival de Música Independente – em Maceió, que teria mais dois de apresentações diversas pela frente e, naquela noite, botaria o Tom Zé no palco do Teatro Deodoro. Além dele, mais outros três shows, sendo o Chau do Pife o cara que abriria a noite ao lado de sua banda.

Era algo que não podia ser perdido. Mas que deve ter acontecido pra gente que queria ver.

Ou seja: apesar da proposta bacana trazida para nossa cidadezinha litorânea, o alardeado FMI veio logo com alguns problemas mesmo antes do primeiro dia de apresentações. Faltando uma semana para o evento, os ingressos ainda não haviam chegado as lojas que se encarregariam de vendê-los – o pior: estava rolando uma promoção de ‘compre antecipado e pague menos’ e, na véspera do prazo pra ela expirar, as tais entradas não tinham chegado. Atendentes disseram a minha cunhada que outras pessoas estavam procurando, mas ninguém sabia quando isso ia ser resolvido.

Sem contar que, com o nível de poder aquisitivo que anda rolando ultimamente, parecia terem exagerado no salgado, sabe?

Não sabendo o que aconteceria, viajamos naquela véspera pro interior do estado e só voltamos dois dias antes da abertura, com outra pessoa já nos tendo comprado os ingressos – creio que com desconto, mas vai saber. E sexta aportamos no Teatro; eu meio assim, assim por ter que ver o Tom Zé pulando no palco e ficar sentado, só balançando e batendo as mãos nos joelhos. Nah, eu tinha chegado lá e isso já era o bastante.

DE ENTRADA, OS CONTRAS

A movimentação faltando uma hora pro começo era tímida, e ficamos comentando entre si se daria público suficiente. Vai que a desorganização inicial com os ingressos desmotivou quem foi procurar com antecedência… desorganização, viu, que ainda estava presente ali. Era tanta gente metida na ‘coordenação’ do evento, que quase ninguém sabia o porquê do atraso quando passou um bocado das 21 horas – horário no qual os portões deveriam ser abertos -, e uma fila legal tinha se formado. Nela, um público de idades distintas – acho que a terceira idade ganhou nesse dia.

No dia seguinte, a TV noticiou que 800 pessoas passaram por lá. Hm, será? Sei não…

Naquela sexta, o Tom Zé tinha dado uma entrevista na Gazeta, filial da Globo por aqui, e, no final do bate-papo, disse: “Show do Tom Zé começa na hora e termina na hora”. Pena ele ter falado com tanta convicção, porque os tais ‘organizadores’ ferraram com a promessa do músico. Quando o portão se abriu, e acho que já tinha passado das 22 horas, um segurança ainda veio dizer pra gente aguardar mais um pouquinho na entrada interna do teatro.

“Você quer que eu espere? Ora, vá tomar banho”, disparou uma senhora que estava ao nosso lado – tínhamos sido os primeiros da fila -, desvencilhou-se do braço do segurança e se enfiou dentro do Deodoro com o marido, sendo seguida por todos que vinham atrás dela e nem faziam idéia de que queriam que aguardássemos mais. Qualé, mermão?

Tomando cadeiras na primeira fileira, notamos lá dentro uma série de crachás: eram do povo da imprensa. Que abusou do seu direito de registrar o espetáculo e ficou se enfiando aos montes na primeira fila, batendo fotos e filmando sem muita ordem. Quer dizer, a ordem deveria ter vindo da coordenação do evento. Naquele dia chegamos a conclusão que essas palavrinhas que repeti bastante até agora – e mais uma vez: organização e coordenação -, eram conceitos confusos aos dicionários da bancada do FMI.

Sem contar no nervosismo de alguns que, não suportando a batata quente, acabaram descontando em quem não devia: no público. Acompanhe a reprodução do diálogo a seguir:

“…demorou muito para abrirem os portões. Sem contar que um segurança ainda veio dizer pra aguardamos um pouco na entrada.” – lamentou meu co-cunhado.

“Nós estamos fazendo o que podemos. O evento não tem ajuda da prefeitura nem do governo. E é o primeiro.” – explica um dos carinhas da tal ‘coordenação’, que fez eu me ficar perguntando o que diabos o governo tem a ver com o atraso num evento PARTICULAR.

“Não, tudo bem. Só estou dizendo isso pra vocês ficarem mais atentos. E o Tom Zé disse que o show dele começa na hora. Já tá atrasado…”

“Olha, se o Sr. quiser, a gente vai lá fora e eu devolvo o seu dinheiro, tá certo?” – respondeu em tom arisco o gordinho com a batata quente.

Deixa dessa. A gente imagina como deve ser difícil fazer um evento daquele porte. Mas, se você não está pronto pra ouvir reclamações, mesmo as mais educadas – como as do meu co-cunhado, que é bem pacato -, é melhor ficar em casa vendo filme água com açúcar na TV pra se manter calminho. A entrada foi cara, o atraso foi longo e todo mundo tava no direito de reclamar. O cara estava tão errado, que a namorada dele, ao seu lado na hora da conversinha, deu uma cutucada no sujeito depois que eles se afastaram a coisa de três passos. “Me desculpa, viu? É que eu tô nervoso…”, veio pedindo desculpas logo a seguir.

Era melhor ter ficado calado.

OS PRÓS, SIM SR.

Diretamente do interior da terrinha, o sr. Chau do Pife e banda entraram mandando ver no instrumental, abrindo oficialmente o Festival depois que dois apresentadores, mais perdidos do que cegos em tiroteio (pra usar um clichê), leram tropicando uns textos em suas mãos. Depois, fiquei sabendo que eles eram de Marte; por isso, a dificuldade em ler e saber onde estavam.

Fazia um tempo que eu estava curioso pra ver o Chau do Pife, considerado o ‘maior pifeiro do mundo’. Não duvido que ela possa ser o maior, mas com certeza deve ter um dos maiores fôlegos do planeta: duma vez só, ele soprava três músicas no seu pífano e era acompanhado prontamente pela banda ao seu redor. Daí parava, e manda mais três. Novamente, foi pena ter visto o show sentado. Era uma boa oportunidade pra arrastar o pé no chão.

E aí anunciaram o Tom Zé. Anunciaram e nada dele entrar. Dois ou três minutos depois, o baixinho de Irará deu as caras – a demora foi sua forma de protestar pela desorganização da organização (hahaha) e fazer ele passar por besta quando disse que era pontual, lá na entrevista pra TV Gazeta. E então, feitas as apresentações da banda, o Zé começa o show e diz da galáxia da qual veio…

Eu conhecia muito, MUITO pouco do Tom Zé. E ainda desconheço bastante. Dele, ouvi boa parte das músicas do seu último cd: (Grant) Morrison e não ficar fascinado com toda a maluquice lógica que ele põe em cada página. Tom Zé é uma dessas maluquices com lógica que, quando você descobre, sabe que o mundo é um lugar mais divertido e além porque existe gente como ele.

O show não foi só do novo cd. Contou, claro, com repertório antigo. E meu co-cunhado ganhou o dia: fã disparado do Tom Zé, quando o músico pediu sugestões da platéia, a dele foi acolhida com grande entusiasmo: “Boa sugestão, a gente encerra com ela”, concluiu o artista ao ouvir ele sugerir Jimmy Renda-se. E sim, foi essa a música que finalizou o espetáculo.

Depois dali, a adrenalina estava toda acumulada, e saímos pra gastar um pouco dela numa música do Bonsucesso Samba Clube, de Pernambuco, tocando mangue. Só foi uma porque voltei com a patroa pra ver como estavam cunhada e co-cunhado, na fila pros autógrafos que o Tom Zé estava distribuindo. E eles conseguiram autógrafos, fotos e abraços.

GELADA, POR FAVOR

Acabou que todos queríamos uma cerveja gelada, mas estava um tumulto sem igual pra chegar ao barzinho do teatro. E, como o Tom Zé + Chau do Pife pareciam ter sido o suficiente para nos agradar naquela noite, concordamos em zarpar e ir derrubar umas geladas num boteco que alguns amigos e eu curtimos: Pedacinho do Céu, em Jaraguá, próximo ao bar/chopperia Orákulo. Na verdade, nós o chamamos de ‘bar underground’. Tem uma sonoridade melhor. Além de adequar ao contexto cultural onde está enfiado.

E no bairro onde Maceió começou, nossa noite de FMI terminou. Com algumas cervas, tira-gostos, minhas palhas e as reflexões de termos visto algo fantástico.

Uma pena mesmo foi não ter visto o Wado, Basílio Sé, Autoramas, Cidadão Instigado…

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Capote é realmente legal. Nah, nada de falar da excelente atuação do Philip Seymour Hoffman; todo mundo já comentou. O filme, como foi feito, ajudou. E foi incrível como uma história lenta, com vários momentos de silêncio e reflexão – tanto para seus personagens como para a audiência – pôde, próximo do fim, sacudir a gente na cadeira.

Vai passar um documentário sobre o sujeito na GNT, no próximo domingo 02 de abril, às 8 da noite. Na propaganda, deu pra ver um pouco da voz irritante e da prepotência do cara que assistimos na película. Taí, acho que vai ser bem divertido.

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“…conta como foi ver o marido indo para o espaço.”, foi o que acabou de dizer a Sandra Annenberg naqueles flashes antes do Jornal Hoje começar, falando da entrevista com a mulher do astronauta brasileiro que tá em órbita.

Será que ela não devia ter revisado esse texto antes, pra ele não ficar com esse duplo sentido besta? Tá, quase ninguém deve ter notado. Quase, porque eu notei.

Aposto que alguns poucos também.

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Nextwave #03
“Você comprou um episódio de NEXTWAVE, a menos que tenha roubado-o da Internet.”

Warren Ellis tem um senso de humor realmente sacana. Imagem retirada da edição #3 de sua mais recente série da Marvel, onde um bando de heróis de quinta foram descaracterizados e vestidos com a personalizada irônica do escritor britânico e chutam um monte de traseiros a cada história.

A proposta me ganhou no segundo número, quando as coisas foram escrachadas de vez. Nextwave é, provavelmente, uma das coisas mais inventivas da Marvel nos últimos tempos – junto com o Demolidor do Bendis, X-Men do Morrison e Supremos do Millar.

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“Pois ele não se intimidou. Falou mal da emissora, do merchandising que faz em “Belíssima”, do sotaque grego de Tony Ramos, de Fernanda Lima. Disse que o “Fantástico” transforma tudo em “merda” e que há 40 anos se faz a mesma novela. Sobrou para Lula, “imbecil, idiota”, e para a neta Paloma Duarte, por ter ido à TV rebater o “medo” que Regina Duarte disse ter da vitória do PT.”

Não é que finalmente alguém de dentro falou o óbvio? Legal, Seu Lima. Até da Bang, Bang ele falou, e eu concordei com quase tudo: não foi só o fato do público não ter aceitado, mas da novela ser realmente mal escrita.

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“O FMI nasce para preencher uma lacuna cultural histórica em Alagoas. Desde meados dos anos 90, nossa terra despertou uma cena musical com força autoral e qualidade artística como nunca vista por aqui. Lá se vão 10 anos desse “boom” muscial e até então nenhum evento foi formatado ou realizado com o objetivo de consolidar uma cena, de mostrar ao Brasil e à própria terrinha que: sim, nós somos fonte de boa música!”

Vai ter muita coisa boa. Mas, pra realidade da cidade, parece que o preço incomodou. Em parte, eu concordo. Até porque não vou ter verba pra ir nos três dias - queria muito ver o Wado e o Basílio Sé. Tenho que me contentar, com muito agrado, com o Tom Zé hoje.

Um resumo de como vai ser hoje a noite mais pra frente.

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Capa American Virgin #1
Steven T. Seagle nunca foi um nome forte no mainstream da indústria norte-americana de quadrinhos. Traduzindo: nos gibis de Super-Heróis. Com exceção, é claro, de sua rápida passagem numa das séries dos X-MEN, conturbada pelas freqüentes interferências editorias, e em doze edições da revista do Homem-de-Aço SUPERMAN, acho, não muito lembrada pelos leitores. O trabalho de Seagle, aquele que dizem ter qualidade, sempre foi apontado nos publicados sob o selo adulto da DC Comics, a Vertigo.

Em março, mais uma série assinada por ele volta a sair com o selo da Vertigo num canto da capa. É a pretensa AMERICAN VIRGIN. Pretensa por, mesmo antes de cair no gosto da audiência, ser equiparada por seu criador/escritor a séries já consagradas. Nas palavras de Seagle, “AMERICAN VIRGIN vai fazer pelo ritual sexual global o que HELLBLAZER fez pela demonologia, ou pelo que PREACHER fez pelo humor grotesco.” Apesar do salto alto, a proposta de Seagle tem coragem em sua composição.

Isso, de algum modo, pode ser constatado ao se ler a primeira edição.

Adam Chamberlain é o filho que toda mãe cristã fervorosa gostaria de ter: sua devoção ao sexo só depois do casamento abençoado pelo Senhor o fez se tornar autor de um best-seller sobre castidade. “Save Yourself to save yourself” é o nome do tal livro. E as coisas não aconteceram a Adam só por sorte ou um super-plano de marketing. O rapaz tem carisma. Ele sabe usar as palavras. E acredita piamente no que está dizendo.

Pelo menos, no começo…

Seagle não comete erros nesta edição de estréia. De verdade. Se cometeu, acabei não notando. Estive mais atento aos seus tremendos acertos: Narrativa e diálogos combinando harmoniosamente. E que diálogos legais, viu? Que funcionaram por completo graças a fera da Becky Cloonan. Se você é o típico leitor médio de super-heróis, não sabe quem ela é ou de onde veio. Pois saiba que Becky entende do riscado dos quadrinhos, e seu trabalho mais festejado é o excelente quadrinho indie DEMO, escrito pelo ótimo Brian Wood. Misturando características de fisionomia do Mangá, bem de leve, com um traço forte e escuro, Cloonan alterna entre o limpo e o sujo como um choque elétrico. Impossível não ficar sensibilizado e horrorizado com o estado de Adam ao final da edição, quando o mundo o chuta violentamente no saco e dá início a uma série de questionamentos que veremos ao longo da série. A capa provocativa é de um dos atuais gênios da Nona Arte: Frank Quitely (The Authority, All Star Superman).

Segundo Seagle, AMERICAN VIRGIN, basicamente, trata sobre a primeira vez. Não. Não uma primeira vez, corrigindo. Mas várias delas, em diferentes situações. A idéia é colocar Adam confrontando todas elas a medida que a história avança. No final, parece que tudo reside em reflexão e evolução.

Quero continuar acompanhando e ver no que vai dar.

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Meu nome é Pablo. O sobrenome que gosto de usar, dos dois que possuo, é o último: Casado. Resido em Maceió, capital das Alagoas, adjetivado como Paraíso das Águas. No alto dos meus atuais 22 anos, vivo do sonho de um dia trabalhar com Histórias em Quadrinhos – razão pela qual faço parte do estúdio NAPALM! Comics, daqui da minha terrinha mesmo –, me formar em Jornalismo e sair um pouco da minha província oligárquica e conhecer o mundo moderno lá fora.

Faz algum tempo que, coisa de quase dois anos, que levei adiante um blog chamado PROSA DO MAL. Devido a problemas de conexão – passei uma temporada morando num bairro afastado, sem cobertura de Internet banda larga, mas com um mar paradisíaco a menos de 100 metros de casa -, desativei meu diário virtual de pesquisa e cronismo, podendo retornar a ele só agora. Utilizando o suporte eficiente do blogsome, a idéia deste novo blog é dar continuidade ao anterior. Mas dando maior espaço aos meus relatos sobre o mundinho único que é esta cidade e o estado que a abraça. É a parte do inferninho que existe em casa paraíso.

E, no Éden das Águas, não seria diferente.

Nos links laterais, será possível encontrar meus álbuns de fotos no fotolog e flickr, assim como outros blogs e sites recomendados.

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