
Steven T. Seagle nunca foi um nome forte no mainstream da indústria norte-americana de quadrinhos. Traduzindo: nos gibis de Super-Heróis. Com exceção, é claro, de sua rápida passagem numa das séries dos X-MEN, conturbada pelas freqüentes interferências editorias, e em doze edições da revista do Homem-de-Aço SUPERMAN, acho, não muito lembrada pelos leitores. O trabalho de Seagle, aquele que dizem ter qualidade, sempre foi apontado nos publicados sob o selo adulto da DC Comics, a Vertigo.
Em março, mais uma série assinada por ele volta a sair com o selo da Vertigo num canto da capa. É a pretensa AMERICAN VIRGIN. Pretensa por, mesmo antes de cair no gosto da audiência, ser equiparada por seu criador/escritor a séries já consagradas. Nas palavras de Seagle, “AMERICAN VIRGIN vai fazer pelo ritual sexual global o que HELLBLAZER fez pela demonologia, ou pelo que PREACHER fez pelo humor grotesco.” Apesar do salto alto, a proposta de Seagle tem coragem em sua composição.
Isso, de algum modo, pode ser constatado ao se ler a primeira edição.
Adam Chamberlain é o filho que toda mãe cristã fervorosa gostaria de ter: sua devoção ao sexo só depois do casamento abençoado pelo Senhor o fez se tornar autor de um best-seller sobre castidade. “Save Yourself to save yourself” é o nome do tal livro. E as coisas não aconteceram a Adam só por sorte ou um super-plano de marketing. O rapaz tem carisma. Ele sabe usar as palavras. E acredita piamente no que está dizendo.
Pelo menos, no começo…
Seagle não comete erros nesta edição de estréia. De verdade. Se cometeu, acabei não notando. Estive mais atento aos seus tremendos acertos: Narrativa e diálogos combinando harmoniosamente. E que diálogos legais, viu? Que funcionaram por completo graças a fera da Becky Cloonan. Se você é o típico leitor médio de super-heróis, não sabe quem ela é ou de onde veio. Pois saiba que Becky entende do riscado dos quadrinhos, e seu trabalho mais festejado é o excelente quadrinho indie DEMO, escrito pelo ótimo Brian Wood. Misturando características de fisionomia do Mangá, bem de leve, com um traço forte e escuro, Cloonan alterna entre o limpo e o sujo como um choque elétrico. Impossível não ficar sensibilizado e horrorizado com o estado de Adam ao final da edição, quando o mundo o chuta violentamente no saco e dá início a uma série de questionamentos que veremos ao longo da série. A capa provocativa é de um dos atuais gênios da Nona Arte: Frank Quitely (The Authority, All Star Superman).
Segundo Seagle, AMERICAN VIRGIN, basicamente, trata sobre a primeira vez. Não. Não uma primeira vez, corrigindo. Mas várias delas, em diferentes situações. A idéia é colocar Adam confrontando todas elas a medida que a história avança. No final, parece que tudo reside em reflexão e evolução.
Quero continuar acompanhando e ver no que vai dar.

