Ah, merda.
Acabei marcando bobeira e perdi Mopho, Cachorro Urubu e Barba de Gato na Fábrica 86 na última sexta. Eu estava precisando de boas vibrações roqueiras ultimamente, mas vou suprir na próxima oportunidade. Acabei vendo Crash na manhã seguinte com a Ana. Assim completamos a lista dos filmes indicados a melhor película no Oscar, e concordamos: não merecia.
Crash é genialmente caótico - e se eu fosse grande conhecedor da Teoria do Caos, este texto teria uma pá de comparação pra explicar melhor - até a “cena do tiro”. Depois dá para sentir a mão do Paul Haggis no restante do filme. Que fica previsível, caricato e didático. Seu início, com um certo acontecimento no futuro, acabou sendo uma prévia do que seria sua segunda metade.
Achei Menina de Ouro melhor por seguir o caminho contrário: ele é simples e duro - e com ótimos diálogos, também presentes no Crash - até o momento da guinada, quando a crítica se aprofunda e a gente fica com receio de saber o que vai acontecer no fim. E que tem uma cena de marejar os olhos de verdade quando o (personagem do) Eastwood diz o significado daquela frase irlandesa (?).
Em Crash, creio que era para isso acontecer na tal “cena do tiro”. Mas sei lá: a Ana achou previsível, e eu, bem sacado. O que sei é que, depois dela, ficávamos cortando as falas do filme para dizer o que aconteceria a seguir – e acontecia. Com exceção, admito, do conteúdo de um determinado furgão. (E o destino desse conteúdo foi outra coisa que me brochou, por ter sido tão babaca.)
Não, Brokeback Mountain também não merecia, apesar de ser um grande filme. A Ana ficou em dúvida sobre Boa Noite, e Boa Sorte e Capote.
Eu fico com o filme fudido do George Clooney.

