Allan Heinberg é o escritor da série Jovens Vingadores, da Marvel. O conceito, provavelmente, foi de algum editor da Casa das Idéias que estava na tara de fazer algo para bater de frente com os Novos Titãs. Vai saber. Da referida série, comentários positivos já foram encontrados entre camaradas meus. E foi por esse trabalho que Allan ganhou duas indicações ao Eisner Awards de 2006, nas categorias melhor nova série e melhor roteirista.

Oriundo da TV, onde redigiu roteiros para seriados como The O.C e Sex and The City, e atualmente faz parte da equipe de Grey’s Anatomy, é fã assumido de histórias em quadrinhos. E que teve sua oportunidade de adentrar no mercado dos comics pelas mãos de Joe Quesada, que adora essa coisa de chamar fulano e beltrano de Hollywood para salvar a pátria da criatividade de sua editora.

Depois do relativo sucesso com os Jovens Vingadores, a DC cresceu o olho gordo em Heinberg e o escalou para ser o escritor titular da zerada série da Mulher-Maravilha após o salto de um ano. Acompanhado no lápis pelo sempre legal Terry Dodson, o número #1 da atual versão do gibi chegou às comic shops na última quarta-feira. E, pra mim, foi uma brochada em cima de uma idéia bacana.

Wonder Woman #1

(Spoilers explícitos a seguir)

Um ano após a saga Crise Infinita, não se sabe do paradeiro da Mulher-Maravilha conhecida como Diana Prince. Em seu lugar, assumindo o manto da guerreira amazona, está sua irmã Donna Troy – que, em termos de ressurreição, só deve perder pra Jean Grey. E que é chamada para atender num caso de terrorismo, onde os atentadores em questão – um bando de inimigos das antigas da personagem – querem a presença da ‘verdadeira’ Mulher-Maravilha.

Tudo que Heinberg fez nesse primeiro número foi elaborar uns recordatórios e diálogos bobos, e até constrangedores. Algumas boas sacadas, tudo bem, rolaram; incluindo nisso a participação de uns coadjuvantes da velha guarda da DC: Sargento Steel e Nemesis (que eu pensava que tinha morrido no final da década de 80). Adicione aqui o quebra-pau básico com os vilões e, no final, a surpresa legal desperdiçada por um punhado de páginas de enrolação:

Diana Prince, a maravilhosa que todos conhecemos e amamos, aparece na última página enfiada num sensual traje branco, modelito espiã. Durante o pulo de um ano, de algum modo, ela se meteu com o governo - ou com alguma agência de espionagem independente - e se transformou numa James Bond de calcinhas e óculos estiloso.

Já imaginou como algo do tipo poderia gerar histórias inusitadas e divertidas?

Eu curti isso. Só acho que o Heinberg vai botar tudo a perder. Ou ele, ou o cabresto dos editores.

Vou ler Jovens Vingadores depois pra tirar a prova da competência do cara.

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…o goleiro da Costa Rica se chama ‘Porras’. Sério.

Obviamente, eles, os costa riquenhos, chamam porra de outra coisa.

Hm.

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Neil Gaiman me fez correr para o meu caderno de rascunhos. Momentos antes, estava na minha atenta leitura de Fumaça e Espelhos, livro que coleta contos diversos do escriba de Sandman. Parei em “O Lago dos Peixes Dourados e Outras Histórias”, narrativa que me trouxe uma alegria depressiva.

Trata de um escritor de romances que vai a Hollywood escrever um roteiro de um filme que adapta um livro seu. Mas que não se dá bem no intricado processo da indústria cinematográfica mainstream norte-americana.

Não é lá uma obra-prima, mas possui algo de cativante em sua prosa mediana – e Gaiman “mediano” é melhor que muito autor best seller, malandro.

Acho que senti certa identificação com o protagonista – em aspectos claramente distintos, obviamente. Principalmente nas incertezas do que se escrever, como se escrever. E qual a reação de entendimento que essa elaboração criativa pode causar.

Não há qualquer reposta para isso no momento em que gravo tais anotações em meu caderno. Só um frio incômodo cruzando a janela semi-aberta e que abraça meus pêlos e couro humano. Tem escurecido mais cedo em Maceió por causa desse clima gélido, chuvoso. Atípico em boa parte do ano.

Espero que ele tome rumo para paragens mais apropriadas. E leve a nuvem de confusão criativa que chateia minha mente.

Hora de voltar para o Gaiman.

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