Ouço risos. Distantes. Sinal de que a entrega deste HQMix 2006 funcionou. Funcionou pelo décimo oitavo ano.
Paul Dini não deve ser um nome distante para boa parte dos fãs hardcore do Batman: ele foi um dos responsáveis, ao lado de Bruce Timm, pela melhor série de animação com o personagem. Além de produtor, Dini também cuidou de diversos scripts da mesma. Alguns dos episódios mais bacanas possuíam a assinatura do sujeito; pode conferir.
Mas foi com certo receio que recebi a notícia de que ele assumiria uma das séries em quadrinhos mensais do Cavaleiro das Trevas. A mais clássica delas, na verdade: a Detective Comics, onde o personagem nascera. Apesar de talentoso, Dini parece ter o perfil do bom operário padrão de qualquer grande empresa. Aquele que tem suas habilidades voltadas para alcançar as pretensões de seus superiores.
A edição 821 da Detective Comics, a estréia do escritor, não passa de uma história padrão. Nem acima, nem abaixo da média. Aquela que não fede e nem cheira.
Beautiful People é o título da trama-fechada, na qual ricaços são roubados e seqüestrados pelo que parece ser uma nova gangue emergida das vielas sombrias de Gotham. Um mistério bem fichinha pro Maior Detetive do Mundo desvendar.
O que dá a essa história meiera um crédito extra é a arte deslumbrante de J.H. Williams III, recém tirado da ótima série Desolation Jones, da WildStorm. Narrador visual inventivo e repleto de truques em seu lápis, Williams dá seu charmoso toque ao roteiro simplista de Dini.
Um desperdício, considerando o trabalho que ele vinha fazendo ao lado de Warren Ellis em Desolation; ou que poderia estar realizando com Grant Morrison em Batman, onde o escritor escocês terá como parceiro Andy Kubert.
Para quem conhece a mitologia do Homem Morcego tão bem, Dini tem um começo didático e pouco ousado. Desanimador, até. Provavelmente, seguindo um foco criativo requisitado pelos editores da série. Resultando num produto aquém do que se espera de uma equipe criativa talentosa.

