O cigarro não faz tanta falta (agora). Na verdade, será melhor passar alguns dias sem tragar nada. A garganta anda meio ferrada e o nariz não pára de escorrer em algumas horas do dia. E olha que meus 10 anos ficaram pra trás faz, bem, pouco mais de 10 anos. Sinto falta é das noites de sono minimamente bem dormidas: as cochiladas no sofá têm sido mais agradáveis do que o sono incompleto no quarto.
O que ferra tudo é a maldita ansiedade, como sempre. É querer concluir a parte de apresentação de um projeto e ter que quebrar a cabeça lidando com a parte burocrática e financeira da coisa. Não que eu tenha lá problemas de ser um (pretenso) artista que produz o material pensando no alcance comercial do mesmo. O que é chato pra cacete é esse acumulo das tarefas que o sujeito tem que assumir, como bem lembrou o Hector numa das nossas conversas via e-mail: o fulano tem que ser o próprio editor, revisor e o escambau até chegar o momento de se assumir como autor/criador.
É claro que estou falando da produção de Histórias em Quadrinhos. E de como é um saco ter que transformar a sua proposta de gibi numa apresentação documental embasada e sedutora para o cliente morder a isca e saber que valeu a pena. Algo desgastante na maior parte da elaboração, mas bem orgasmático quando você percebe que se aproxima do fim, e o bichinho está ficando bonito. “Até eu compraria essa idéia”. Quando tu pensa nisso, cara, sem estar com o umbigo na cabeça, é porque acertou alguma coisa.
Há um país aqui dentro, aos trancos, se desenvolvendo para criar bases para a Nona Arte. Alguns querem participar do processo. Eu também. Por isso, vou fazer a minha parte e tocar a minha linha de produção na moral. Pode crer.

