The Raconteurs
Finalmente ouvindo a nova empreitada de Jack White, do White Stripes.

Somzera da boa e sem hype firula tipo Arctic Monkeys.

Disponível no P2P mais próximo de você.

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“Quer um chiclete?” A pergunta vem de um negro corpulento, mas rechonchudo, e de barba por fazer. Trajado num bom terno, sentado no centro da sala de alguma espelunca num subúrbio qualquer.

“Vamos. É um sabor novo.” Ele tenta incentivar o outro sujeito, um latino enfiado em terno caro, a aceitar a oferta após ele proferir uma negativa. “É salada de frutas.”

Ele continua segurando o chiclete retangular por alguns segundos. Ambos se encaram. O olhar do latino é seriamente desconfiado.

“Sabe”, o negro rompe o silêncio, ainda erguendo a goma de mascar, “eu fico segurando o chiclete por um tempo. Pra forçar a outra pessoa a aceitar. Se isso acontecer, é porque ela não sabe agir sobre pressão.”

“Eu sei.”, o latino responde sério.

E o negro baixa o chiclete, dá um sorriso e eles continuam o bate-papo.

O negro é ninguém menos do que Forest Whitaker, novo reforço para o elenco da sensacional série The Shield, que teve sua quinta temporada iniciada na última quinta, dia 13. E a seqüência aí em cima, descrita de modo mais ou menos parecido, revela o caráter excêntrico e um tanto perturbado do personagem o qual ele interpreta: um tenente da Assuntos Internos, a Corregedoria da Polícia norte-americana.

E essa cena é apenas uma de várias extremamente bem sacadas desse primeiro episódio. Tem tudo o que os fãs antigos adoram se horrorizar, e surpresas que rolaram do tempo que se passou da temporada anterior até essa. Personagem grávida e uma sexy estreante. Além das velhas caras conhecidas de antes.

Nas ruas, as coisas continuam quentes e sangrentas com chicanos e negros se matando feitos loucos, se esmurrando em velórios e em pleno refeitório de escolas de segundo grau, onde um esfaqueia aqui e outro atira acolá. No meio desse caos, Vic Mackey recebe uma notícia nada boa para sua carreira.

Se você acha Jack Bauer macho, é porque nunca viu Mackey em serviço. E se a ilha de Lost te dá medo, você precisa passar uma horinha na faixa barra pesada da Los Angeles real do seriado, algo do nível das nossas favelas cariocas e periferias paulistas.

É a guerra civil moderna transformada numa puta série de ficção urbana.

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