Remix do entretenimento cultural pop nérdico.

Essa é a minha definição tosca e pomposa para um projeto quase antigo de HQ, e que ressuscitei não faz muito tempo. Bem, e o que eu quis dizer com esse tal remix-não-sei-das-quantas?

Simples: mastigar, digerir e vomitar. Fazer crossover de idéias já postas em prática e que deram certo. Dj Danger Mouse é meu pastor, e nada em meu teclado de mixagem me faltará.

Parece uma muleta para alguém que não é deficiente, mas a coisa não funciona bem assim. A tarefa a que estou me dispondo é mais difícil do que parece. Afinal, estou vampirizando algo já estabelecido, e que a audiência está cansada de ver sendo chupada, e tentando dar uma roupagem não necessariamente nova, mas minha; e fazer com o que o meu estilo se sobressaia às semelhanças que a maioria vá notar e se divirta no processo de leitura.

O apanhado de reflexões acima trata de BIT HUNTER GIRL: uma mescla de Pokémon com Reboot, mais puxado para a linha de ficção científica digital desse último. Com título em ingrishi e tal. Onde suas histórias tratam de uma adolescente que é, na verdade, um sistema de anti-vírus personalizado e consciente dentro do espaço eletrônico no qual vive, caracterizada de tal modo por seu dono, um jovem usuário de computador.

No universo de BIT HUNTER GIRL, boa parte das pessoas ao redor do globo que usam micros, têm acesso à internet banda larga, e suas máquinas costumam ficar ligadas boa parte do dia. O aumento de vírus, spywares e outros programas que visam prejudicar o desempenho – ou mesmo a destruição – dos computadores, obviamente, aumentou.

Para combater o problema com certa personalidade, uma empresa japonesa criou um sistema de anti-vírus consciente, como um tipo de micro Inteligência Artificial digital. No qual o usuário seria capaz de dar forma humanóide e personalidade ao programa. Ele fora batizado por seus criadores de Bit Hunter.

As IA´s anti-virais, conectadas à internet, costumam ‘viver’ numa determinada cidade quando estão conectadas e não estão trabalhando na limpeza dos micros de seus usuários: Metrópole, a Cidade Infinita, criada também pela empresa que desenvolveu o programa Bit Hunter. Nela, os softwares são capazes de comprar upgrades e outros itens – com a devida permissão de seus donos – para combaterem as ameaças aos micros nos quais foram instalados; cada compra, claro, sendo descontada em créditos reais no mundo real.

Na série, Júlia é a nossa protagonista. Personalizada por Mateus, dono de um programa Bit Hunter, ela tem a aparência de uma adolescente de 18 anos, cabelos verdes lisos (isso mesmo, verdes) à altura dos ombros, altura mediana, corpo um pouco atlético, pele branca, olhos também verdes. Sua personalidade é forte e divertida. Suas roupas lembram um vestido futurista de bailarina completamente estilizado. A arma que usa para o combate aos vírus é um canhão de plasma de encaixe manual – como o do Megaman, por exemplo.

As histórias focariam mais em Júlia e sua vida no mundo digital anti-virótico, no qual ela tem amigos e afazeres que uma garota normal teria, deixando isso de lado no momento em que seu dono requisita sua presença para a defesa de sua máquina contra alguma invasão. A arte teria um quê voltado para o infantil, assim como a construção narrativa das tramas. Lançando mão daquela simplicidade dúbia, permearíamos as páginas com diálogos diretos e estilosos, com aquele vigor de adolescência meio boba. Cada edição se encerra com um cliffhanger para a seguinte.

É dureza quando bate a vontade de ser pop.

A seguir: Formatação Original.