Luli Radfahrer é Ph.D. em Comunicação Digital pela USP e, dentre as várias coisas que fez em sua carreira, escreveu o livro A Arte da Guerra para quem mexeu no queijo do pai rico, “uma análise pungente da (ir)realidade corporativa”, que estou lendo no momento. Hoje, ele mantém um blog colaborativo para finalizar a produção de seu próximo livro, Design/web/design 3.

Ando me interessando por alguns livros de administração da estante da Ana, mas não tenho a mínima pretensão em cursar academicamente a matéria. Só estou dando corda a minha curiosidade. Vamos esperar que eu não me enforque.

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O grande mérito de O Caçador de Pipas, escrito por Khaled Housseini e o título queridinho mais recente da lista dos best-sellers, reside no carinho do autor pelas memórias de sua infância e início de adolescência num Afeganistão inimaginável nos dias de hoje. E é na primeira parte do livro, narrando as desventuras de duas crianças afegãs e os obstáculos que a vida – e elas próprias – lhes impõe, que o texto possui uma paixão cativante. Capaz de sobrepor certas carências literárias que um leitor mais exigente possa cobrar.

A coisa começa a desandar quando Amir, o protagonista do livro, já próximo dos vinte anos, precisa fugir de Cabul com o pai, durante a invasão soviética nos anos setenta, para os Estados Unidos. São nos capítulos passados na Terra do Tio Sam que Housseini erra a mão no que contar, e, quando retorna a alcançar bons picos narrativos, cai em clichês hollyodianos. Clichês estes que, pontualmente, surgem quando Amir precisa voltar ao Afeganistão e, finalmente, se defrontar com os pecados de seu passado.

Em dado momento, me pareceu que o método de construção da história estava centrado na desgraça pela desgraça: Amir não fica em paz com seu passado após uma conversa que sempre esteve, implicitamente, prestes a ter com o melhor amigo de seu pai, o coadjuvante Rahim Khan. Mas levando uma surra cruel de um inimigo de infância, numa das seqüências clichês saídas diretamente de Hollywood já citadas; a maior do livro, dentre as que classifiquei.

A mistura de uma realidade dura com uma imagem caricata do que seria essa mesma realidade é o ponto fraco do livro. Apoiado em algumas fórmulas bem amarradas no decorrer da narrativa e numa sucessão chata de desgraças que visam afirmar que “a vida real é assim”, o Caçador de Pipas é um livro meiero. Mais do que tudo, vale pelo amor de Housseini nas palavras usadas para descrever as (suas) memórias de um Afeganistão mais humano através dos olhos de uma criança covarde, mas consciente de si.

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