O cigarro não faz tanta falta (agora). Na verdade, será melhor passar alguns dias sem tragar nada. A garganta anda meio ferrada e o nariz não pára de escorrer em algumas horas do dia. E olha que meus 10 anos ficaram pra trás faz, bem, pouco mais de 10 anos. Sinto falta é das noites de sono minimamente bem dormidas: as cochiladas no sofá têm sido mais agradáveis do que o sono incompleto no quarto.

O que ferra tudo é a maldita ansiedade, como sempre. É querer concluir a parte de apresentação de um projeto e ter que quebrar a cabeça lidando com a parte burocrática e financeira da coisa. Não que eu tenha lá problemas de ser um (pretenso) artista que produz o material pensando no alcance comercial do mesmo. O que é chato pra cacete é esse acumulo das tarefas que o sujeito tem que assumir, como bem lembrou o Hector numa das nossas conversas via e-mail: o fulano tem que ser o próprio editor, revisor e o escambau até chegar o momento de se assumir como autor/criador.

É claro que estou falando da produção de Histórias em Quadrinhos. E de como é um saco ter que transformar a sua proposta de gibi numa apresentação documental embasada e sedutora para o cliente morder a isca e saber que valeu a pena. Algo desgastante na maior parte da elaboração, mas bem orgasmático quando você percebe que se aproxima do fim, e o bichinho está ficando bonito. “Até eu compraria essa idéia”. Quando tu pensa nisso, cara, sem estar com o umbigo na cabeça, é porque acertou alguma coisa.

Há um país aqui dentro, aos trancos, se desenvolvendo para criar bases para a Nona Arte. Alguns querem participar do processo. Eu também. Por isso, vou fazer a minha parte e tocar a minha linha de produção na moral. Pode crer.

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Bryan Singer não fez o típico filme fanboylesco em Superman – O Retorno. Na verdade, ele fez, mas com uma mentalidade mais contemporânea e consciente da abrangência da mitologia em torno do Homem de Aço, sem abrir mão de toques retrôs.

Durante pouco mais de duas horas e meia, o que vemos na tela não é uma simples homenagem aos dois primeiros filmes com o personagem – e que nem foram muitas, graças aos Deus Nérdicos -, mas às histórias em quadrinhos que lhe deram origem e perpetuam, até hoje, a crença no imigrante alienígena que se transformou num Jesus Cristo pop de colante. A figura perfeita do estrangeiro que se deu bem no Novo Mundo e nos inspira a consumir o tal irreal American Way de vida.

No entanto, vale ressaltar que essas considerações estão longe de levarem o primeiro filme de Singer com o herói a uma perfeição unânime. A falta de ação constante, comparado à adaptações recentes de supers – como X-Men 3 emulando gibis do Jim Lee da década de 90 -, não deve chamar tanto a atenção da garotada energética. Assim como a atuação competente de Brandon Routh e a sem sal de sua colega de cena, Kate Bosworth, já estão fazendo os fãs chatos chiarem e rememorarem o finado Reeves e a destrambelhada Margo Kidder. Até Kevin Spacey, que fez um Luthor seu e melhor que o de Gene Hackman, está enfrentando críticas bestas das pessoas de sempre.

Ah, que se dane. É um bom filme. É romântico de várias formas. E talvez tenha na sua cadência narrativa a maior falha: é muito filme para pouca história. Não se trata de termos aqui um conto visual arrastado. Não. Mas a limitação dos dois atores principais impediu a elaboração de diálogos mais interessantes para ambos. Pode prestar atenção: é Spacey quem tem as melhores falas. Adivinhar o porquê não é difícil, certo?

Essa falta de exploração de uma caracterização verbal é substituída pela visual: as cenas do Homem de Aço voando são um deleite para fãs e leigos, a mesma conclusão servindo para as de ação. Não dá para evitar aquela pontinha de inveja e se imaginar lá em cima, no meio de um mar de nuvens tão elegantemente caótico.

E eu não comentei sobre o humor, não foi? Pois é. Um sem-número de críticos afirmando que O Retorno não possuía o mesmo pique nessa área em relação aos dois primeiros filmes do azulão. Sinceridade? Depois de rever um trecho de Superman II, no qual Zod e seus dois comparsas sopram uma ventania numa avenida de Metrópolis, promovendo uma seqüência patética de histeria, eu fico feliz pela diferença. Pois Singer e os jovens roteiristas souberam criar situações de humor convencional de modo inteligente e não-babacas, além de acrescentar humor negro a outras delas. E fazer isso numa história do Super-Homem funcionar já é um grande mérito.

Para assistir a Superman – O Retorno é preciso ir desprendido de grandes expectativas em relação a ação asfixiante e trama cheia de idas e voltas. Não se trata disso. Mas de várias histórias de amor. Entre um homem e uma mulher. Entre um homem e um mundo. E entre um pai e filho. Embates emotivos regados a diálogos filosóficos de Marlon Brando e a trilha sonora clássica de John Williams.

Avante.

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Ouço risos. Distantes. Sinal de que a entrega deste HQMix 2006 funcionou. Funcionou pelo décimo oitavo ano.

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Paul Dini não deve ser um nome distante para boa parte dos fãs hardcore do Batman: ele foi um dos responsáveis, ao lado de Bruce Timm, pela melhor série de animação com o personagem. Além de produtor, Dini também cuidou de diversos scripts da mesma. Alguns dos episódios mais bacanas possuíam a assinatura do sujeito; pode conferir.

Mas foi com certo receio que recebi a notícia de que ele assumiria uma das séries em quadrinhos mensais do Cavaleiro das Trevas. A mais clássica delas, na verdade: a Detective Comics, onde o personagem nascera. Apesar de talentoso, Dini parece ter o perfil do bom operário padrão de qualquer grande empresa. Aquele que tem suas habilidades voltadas para alcançar as pretensões de seus superiores.

A edição 821 da Detective Comics, a estréia do escritor, não passa de uma história padrão. Nem acima, nem abaixo da média. Aquela que não fede e nem cheira.

Beautiful People é o título da trama-fechada, na qual ricaços são roubados e seqüestrados pelo que parece ser uma nova gangue emergida das vielas sombrias de Gotham. Um mistério bem fichinha pro Maior Detetive do Mundo desvendar.

O que dá a essa história meiera um crédito extra é a arte deslumbrante de J.H. Williams III, recém tirado da ótima série Desolation Jones, da WildStorm. Narrador visual inventivo e repleto de truques em seu lápis, Williams dá seu charmoso toque ao roteiro simplista de Dini.

Um desperdício, considerando o trabalho que ele vinha fazendo ao lado de Warren Ellis em Desolation; ou que poderia estar realizando com Grant Morrison em Batman, onde o escritor escocês terá como parceiro Andy Kubert.

Para quem conhece a mitologia do Homem Morcego tão bem, Dini tem um começo didático e pouco ousado. Desanimador, até. Provavelmente, seguindo um foco criativo requisitado pelos editores da série. Resultando num produto aquém do que se espera de uma equipe criativa talentosa.

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Terminei, finalmente, “Fumaça e Espelhos”.

E se há algo que Neil Gaiman sabe fazer com aquela maestria poética de ficcionista, é transformar o fantástico em mundano e vice-versa. Habilidade para alguns e extremamente distinta nos indivíduos nos quais se manifesta.

Mas, longe da perfeição, o livro de contos do referido autor britânico te prende em certos momentos sem direito à revisão de ‘pena’ de leitura. Noutros, é tão passável quanto aqueles panfletos que pegamos na rua e damos uma olhada desatenciosa antes de amassar, enchendo o estômago da lata de lixo mais próxima.

No entanto, “escrever é voar em sonhos. Quando você se lembra. Quando pode. Quando dá certo. É muito fácil.” Palavras do caderno de notas do próprio Gaiman, usadas na abertura da edição. E é assim que podemos definir os altos momentos do livro. Seja com “Cavalaria”, “O Lago dos Peixes Dourados e Outras Histórias” ou quem sabe, até mesmo, com o “Presente de Casamento” nunca dado aqueles amigos.

Quando dá certo, bem, é como voar em sonhos. É puro Gaiman.

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Sábado tinha tudo para ter uma bela noite de roque em rou maceioense lá pelas bandas do Sesc Poço, a partir das vinte e uma, com quatro bandas locais mandando ver. Dentre elas, a Mr. Freeze, a minha preferida da line up do encontro musical. Então, já na sexta, estava tudo pensado para o dia seguinte: reunião da NAPALM! à tarde e showzera à noite.

O que não dava pra imaginar era a reunião desgraçada que seria realizada para melar a programação. Figurinhas como Murphy, São Pedro e, pasmem, Chevy Chase sentaram-se em confortáveis cadeiras de madeira ao redor de uma mesa de mogno, jogaram streap-poker acompanhados de caipirinhas, e, do nada, combinaram que devia chover pra ferrar no sábado. E choveu, malandro.

Só tive coragem de sair pra reunião da NAPALM! mantendo a esperança de que, a noite, as nuvens iam amenizar e o clima esquentaria minimamente para a curtição. Mas que nada, viu: a palhaçada temporal continuou sem dar muita trégua, fazendo com que Ana e eu desistíssemos de botar o pé na rua. Melou geral.

Daí chega a domingueira. Céu aberto e sol trampando numa boa. Pessoas indo para a praia sem maiores preocupações. Nos motivando a jogar no corpo umas roupas leves e tocarmos para a orla da Jatiúca, onde lançamos passos lentos no calçadão. Assim como dedos de prosa no ritmo das ondas e da maresia. Numa batida diferente da que tínhamos planejado pro fim de semana. Mas, ainda assim, com sua melodia própria.

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Não pude conter o sorriso ao sair da sessão da animação Carros, lá no Iguatemi, acompanhado pela Ana. Ela também, na verdade.

Mas não que o filme tivesse sido engraçado do começo ao fim. Pois Carros não é assim. Ele é divertido. Movimentado. Montado com um roteiro bacana, pontuado com piadas ligeiras e de riso raso. Sem deméritos aqui. E afirmo isso sem o problema de ter sido seduzido por algum tipo de hype da mídia: se eu já não tinha me empolgado quando vi o trailer, as resenhas iniciais também não ajudaram.

Indo assisti-lo sem expectativas positivas, fui surpreendido por uma bela fábula motorizada sobre valores morais, conflito de gerações e respeito com a história. Tudo bem mesurado e sem exageros didáticos, narrado com aquela animação estilosa e competente da Pixar que a gente já conhece.

Não é pra morrer de rir. É para se divertir.

(Ponto final, terminando mais um textinho expresso com frases porcamente rimadas. Parabéns, Pablo.)

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E todo mundo achando que o bate-papo com o Warren Ellis foi a melhor coisa do evento.


Fonte: The Beat, que está de endereço novo.

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“Arte” é uma palavra besta. Há muito tempo, homens pintavam imagens en cavernas. Hoje, as chamamos de arte. Para eles, era magia. Agora não temos quase nenhuma magia e tudo é chamado de arte.
- Nick Tosches

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O AXN estréia no dia 13 de julho, quinta-feira, às 21h, a quinta temporada de The Shield (…).

A quinta temporada de The Shield terá novidade no elenco. O ator e diretor Forest Whitaker (”Traídos Pelo Desejo” e “O Quarto do Pânico”), fará o papel de um detetive durão que ficará atrás de Mackey (Michael Chiklis) e dos erros de sua equipe.

Em um clima de moral duvidosa, Mackey tem a perspicácia e charme para sustentar seu estilo renegado e, na guerra contra o crime, ele pode ser um mal necessário. Normalmente, Vic Mackey é eticamente questionável e considerado um predador. Mas, na quinta temporada, ele parece mais com a presa.

Demorou, malandragem. O melhor seriado policial dos últimos anos está de volta às telinhas tupiniquins. Ueba.

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