Quando a idéia inicial para BIT HUNTER GIRL deu os primeiros passos, em meados de 2005, lá pelas bandas do primeiro semestre, a pessoa que logo me veio a mente foi o Thiago (Oliveira). Já havíamos feito uma certa quantidade de histórias juntos, além de alguns projetos esperando a oportunidade adequada. Então, acrescentar mais um a lista não deveria ser lá um grande problema.

Mas havia, sim, um problema: a minha idéia com esta série era publicá-la, gratuita e mensalmente, no site da NAPALM!. Serviria como um tipo de chamativo, uma isca para manter os leitores sempre acessando a página e, por tabela, conferindo o que estávamos aprontando. O projeto desandou pelo clima que vivíamos como grupo naquela época, e que já influenciava as parcas atualizações no site do estúdio.

No fim das contas, não havia clima para que Thiago e eu levássemos a idéia adiante: não só pelo fato acima comentado, como pela falta de tempo que ele passava na época. Como nossa parceria estava segura em projetos maiores, não vi porque fazer caso. E saí à cata de outro cara para segurar o lápis das histórias.


Clique para ampliar
Nesse meio tempo, Thiago me ajudou no processo criativo da coisa: elaborou o design dos personagens seguindo as instruções que havia na minha proposta inicial. Então, quando apanhei os rascunhos iniciais, abri aquele riso besta de quando conseguimos o que queremos: com Júlia e uma coadjuvante esboçadas, pude estabelecer uma ligação identitária com minha cria.

Infelizmente, o calendário foi comendo os dias, as semanas e os meses, e eu só havia feito uma tentativa com um novo desenhista, e que não dera certo. Sem querer me arriscar com desconhecidos, principalmente num projeto sem retorno financeiro, fui ficando desanimado. Até que, finalmente, parei de mexer nos arquivos computadorizados da pasta sob o nome “Bit Hunter Girl”.

Pasta que eu só voltaria a abrir no começo de 2006, quando encontrei alguém, um maceioense e, ainda por cima, um xará, para oferecer o material. Como a proposta da série se focava em aventuras curtas e aparentemente fechadas, imaginei que poderíamos publicá-las na forma de um fanzine. E, com a proliferação de eventos ligados a mangá e anime na capital alagoana, ou mesmo nas capitais estaduais vizinhas, seria uma boa oportunidade.

Depois de algumas conversas e leituras de antigas anotações minhas, o Pablo Peixoto, promissor e talentoso desenhista, aceitou o desafio de dar vida a Júlia e seu universo digital. Com ele, eu percebi que estava formando uma equipe criativa consistente e, mais importante, sintonizada: não demorou muito para que, depois de rascunhar as páginas da primeira edição, ele desse ótimas sugestões. Daquelas que te vem à cabeça como questionamentos iguais a “como eu não pensei nisso antes?”.

Havia chegado, então, a pior parte do processo.

A Seguir: Execução