Primeiro, atacaram o João Lyra, candidato número 1 nas pesquisas para governador do Estado. Empresário de renome do setor açucareiro, tem usinas não só no Estado de Alagoas, mas em outros, como Minas Gerais. Sua empresa, segundo dados, parece ser a 15º produtora de açúcar mais rentável do globo. As lendas ao redor de sua pessoa falam da habilidade que possui em gerenciar bem os negócios e do passado manchado de sangue daqueles que teria mandado matar, caracterizando-o como o mais forte coronel do Paraíso das Águas.
Agora, propagandas anti-Collor surgem nos canais de TV do Estado, inclusive naquela que é de sua propriedade, a TV Gazeta. Nos comerciais, é exaltado um sentimento de vergonha nacional ligado à imagem do ex-presidente. A tentativa, obviamente, pretende fazer emergir nos alagoanos um semancol quanto à candidatura do referido senhor ao Senado Federal - que estava liderando as pesquisas, deixando para trás o ex-governador Ronaldo Lessa. O mesmo que derrubou Collor na última eleição para governador.
O clima não é dos melhores na “Terra dos Marechais”.
Enquanto o candidato João Lyra se esquiva dos debates ao vivo nas emissoras locais, corre pela boca miúda a compra milionária de deputados e os presentes automotivos caídos do céu nas mãos dos mais influentes homens de Deus no Estado. Algo que já virou motivo de piada (séria) para alguns candidatos à deputado. Paralelo a tudo isso, um prefeito do interior é assassinado brutalmente e os sobreviventes teimam em afirmar que não foi crime político, visando proteger a si e a família - compreensível é pouco.
Nas ruas, o laranja e azul, as cores dos dois principais candidatos ao governo, disputam o espaço nas calçadas e meios-fios para poluirem visualmente ainda mais a simplicidade pobre de boa parte das ruas de Maceió. Cidade que, a cada ano, parece se sentir mais prensada contra o mar, tentando fugir do clima de senzala e pistolagem que vem do interior. Fechando os olhos para fingir que ela não é a casa grande da história. Mas o cheiro do ferro criado e levantado pela pólvora e o sangue já não pode ser mais evitado.
Alguns se preocupam com a chacota feita pelo restante da federação. Outros, se questionam se o melhor é escolher o novo, aquele que pode trazer a desgraça definitiva ou a salvação eterna. E o restante prefere lidar com o mesmo feijão com arroz de sempre, uma refeição acompanhada de um blue(s) choroso e repetitivo - mas que vai garantir o emprego de alguns fulanos e beltranas de classe média em instituições sérias. No fim, todos estamos com o cu na mão, com medo da próxima bala passar muito próxima das nossas casas. Não importando qual das cores venha a assumir a cadeira principal na Casa Grande Espelhada.
Como diria o Coronel Gondim: vai ferver.

