Fernando Collor foi eleito Senador da República pelo Estado de Alagoas.
Esta, com certeza, foi a notícia que parte dos alagoanos não gostaria de ter lido, assistido ou ouvido por aí. Mas aconteceu, e agora é tarde. As recordações sobre a passagem do ex-presidente como autoridade máxima da nação figuraram em todos os meios informativos, ressuscitando o receio de sua futura atuação política… e as piadas. Ah, as piadas.
“Errar uma vez é humano, duas vezes é allagoano” deve ser a mais conhecida.
Os relatos de alagoanos residentes em outros estados pipocam, é claro. Basta uma navegada rápida em comunidades do Orkut, ou mesmo em conversas com amigos seus via MSN, para sentir a indignação dos conterrâneos que emigraram para outras bandas. Afinal, “nós” o elegemos. “Nós”, alagoanos. Motivo de vergonha maior, razão para baixarmos nossas cabeças e agüentarmos tudo que vem pela frente. E sem chorar, para não piorar a situação.
Putz. Quanta babaquice.
Collor foi eleito pelas mesmas razões que tantos outros políticos corruptos deste país: a ignorância e a falta de memória de parte da população. Afinal, foram quatorze anos afastados do mundo da política – dez, se levarmos em conta sua candidatura mal-sucedida ao governo do Estado quatro anos atrás. Tempo suficiente para ganhar terreno, recuperar velhos currais eleitorais. Instigar no povão aquela aura mística que só sua fala elaborada e de ar amigável e incentivador tem.
Foi o carisma que o elegeu presidente que o levou ao senado. Algo que só aconteceu, também, graças aos tropeços de Ronaldo Lessa em seu segundo mandato como governador e da confusão quanto a legitimidade de sua candidatura. Estes e outros fatores levaram a maioria que elegeu Collor a enxergar nele algo de positivo, de salvador. “Aquele que vai colocar camisa nos descamisados”.
Cada um usa as armas que têm à mão.
A questão é que, num estado extremamente pobre em diversos aspectos, com um dos maiores índices de analfabetismo do país (se não o maior), verdadeiro curral de Senhores de Engenho Pós-modernos, isso – a eleição do Collor - não deveria ser considerado, necessariamente, uma vergonha. Mas um acontecimento mais do que esperado.
A vergonha está justamente no fato de não termos um povo mais instruído, contestador, ciente de sua história. Que se contenta com uma cesta básica ou cinqüenta Reais. E que precisa baixar a cabeça quando seu respectivo coronel, cercado de jagunços, meneia sua arma reluzente no ar.
Esses sim, são motivos para se baixar a cabeça de modo envergonhado. Não o fato de um notório cidadão ser eleito quando há muito contra suas atuações anteriores em cargos políticos. Contra isso, é preciso estar com os olhos erguidos, atentos para evitar que a história se repita. E ter vontade para mudá-la nos punhos.
Quem se deixa envergonhar por candidatos colloridos e piadas requentadas é gentinha sem personalidade, que faz jus a fama de coronelismo e pistolagem que caracteriza o Estado de Alagoas e seu povo apático. Vão à merda.


Jean Ok said:
Aqui em São Paulo não estamos nem um pouco melhor, cara. Elegemos José Serra e, ouch, Paulo Maluf.
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