Eu não estou por aqui ultimamente, mas numa realidade sem conexões com esta pela qual vos contato. Volto no ano seguinte, aquele com licença para matar no final, quando as coisas se alinharão e uma revolução deverá começar.
Te encontro lá. Abraço.
Eu não estou por aqui ultimamente, mas numa realidade sem conexões com esta pela qual vos contato. Volto no ano seguinte, aquele com licença para matar no final, quando as coisas se alinharão e uma revolução deverá começar.
Te encontro lá. Abraço.
Primeiro a facada, agora um quase-linchamento. O que vem depois?
O presidente da Câmara, deputado Aldo Rebelo, foi cercado por manifestantes da frente de vereadores, ao sair do plenário, pouco antes da meia-noite desta quarta-feira (20). Eles protestavam contra a retirada, da pauta de votação, da proposta de emenda constitucional que define a quantidade de vereadores nos municípios.
Eu só sei que isso tá ficando divertido.
Transeuntes passam diante de um cartaz do novo filme de Zhang Yimou, “O Caminho da Flor Dourada”, estrelado por Gong Li, em Xian. A exibição de seios na obra tem provocado polêmica no país.
Neste recesso de fim de ano, eu preciso descansar, ler, escrever, fumar, namorar, filmes, conversar merda com os amigos, observar, ler, escrever, fumar, namorar, pesquisar, tranqüilidade, quem sabe praia, desenhar, ler, escrever.
Simples. Será que consigo?
Britney Spears, 25 anos, parece não cansar das polêmicas. Segundo informações do jornal New York Daily News, a popstar tentou fazer um strip-tease e foi retirada do palco pelos seguranças do clube noturno 40 Deuce neste domingo em Los Angeles.
Retirada pelos seguranças, a popstar voltou a se “apresentar” e desta vez começou a girar em um mastro segurando um cigarro na mão. Após levar bronca das seguranças, Britney não se abalou e voltou a dançar com as amigas, pedindo ainda mais coquetéis.
Comentário do Jean Okada no post “Quadrinhos na rede”:
Tenho pensado muito nisso de uns meses pra cá. Tenho impressão de que isso virou uma coisa “comum” entre os gringos, mas aqui ninguém parece interessado (em fazer, não ler). Por que será?
Eu pedi permissão para publicar o comentário em aberto e, em cima dele, tentar desenvolver o meu ponto de vista sobre o tema – o qual estava coçando no canto da cabeça para sair através dos dedos. Mas acabamos trocando um e-mail aqui e acolá, e acho que eles ficaram bem mais interessantes de se postar (apesar de que se eu fosse escrever mesmo sobre o tema, desenvolvendo-o de modo adequado, não sairia do jeitinho impulsivo que vocês lerão a seguir).
De: Pablo Casado
Para: Jean Ok
Data: 16/12/2006 14:08
Assunto: Re: [] Comment: “Quadrinhos na rede”
2006/12/15, Jean Ok:
> Comment:
> Tenho pensado muito nisso de uns meses pra cá. Tenho impressão de que isso virou uma coisa “comum” entre os gringos, mas aqui ninguém parece interessado (em fazer, não ler). Por que será?Jean,
posso usar o seu comentário como
ponto de partida para um novo post
sobre o assunto? =)
De: Jean Ok
Para: Pablo Casado
Data: 16/12/2006 16:06
Assunto: Re: [] Comment: “Quadrinhos na rede”Pode. Embora ele não fosse necessário pra se abordar o assunto. =)
Realmente acho que pelo ponto a que chegou o “mercado” nacional de HQ, não há mais muito sentido em continuar procurando editoras pra publicar. Nem mesmo por motivos financeiros, uma vez que nenhuma delas PAGA aos autores. Então, pra quê editora?
Fazer fanzine tb não me interessa mais. Impressão, por mais vulgar que seja (xerox), tem um custo, né? E se eu quiser que minha HQ seja colorida? Por essas e outras que eu tô matutando em considerar a internet como veículo sério.
O Alexandre Soares tinha um projeto no site Anime Pró pra veicular “mangá nacional”, e me disse que tinha muitas visitas, o pessoal ia ler mesmo e tal… Com o tempo os autores iam brochando, infelizmente. Sabe como é: “A vida chama”. Mas o povo lia, sim.
Mesmo assim, acho que pode valer a pena. Quem tentou fazer HQ online reclama da grana que não aparece. O meu ponto é: se vc trabalhar com uma editora, TAMBÉM não vai ver a cor da grana.
Pode me chamar de ingênuo, mas acho que se o trabalho for legal, a coisa vai pra frente sim. Pra terminar, dá uma olhada nessa entrevista com o André Dahmer . Ele fala justamente sobre isso.
De: Pablo Casado
Para: Jean Ok
Data: 16/12/2006 16:57
Assunto: Re: [] Comment: “Quadrinhos na rede”> Pode. Embora ele não fosse necessário pra se abordar o assunto. =)
Pois é: eu tava a fim de desenvolver,
mas meio com preguiça. Teu comentário
estimulou algo na minha cabeça. =)> Realmente acho que pelo ponto a que chegou o “mercado” nacional de HQ, não
> há mais muito sentido em continuar procurando editoras pra publicar. Nem
> mesmo por motivos financeiros, uma vez que nenhuma delas PAGA aos autores.
> Então, pra quê editora?Por essas e outras que o Mutarelli deve
ter “desistido” de quadrinhos. Ganhar uma
miséria pelo valor de capa não compensa
quando tua tiragem é de 2.000 exemplares
e demora mais de um ano pra esgotar.Tudo bem que boa parte das editoras não
tem lá tanta estrutura para bancar material
autoral tupiniquim - mas as porcarias das
leis de incentivo, principalmente a Rouanet,
estão aí pra isso.Imagina os caras bancarem alguém com
pós ou mestrado em elaboração de projetos
pra fazer algo com os editores. Passando
num troço desses, se paga todo mundo e
é só trabalhar em cima do resultado. A Bravo!,
por exemplo, é publicada com auxílio da
lei Rouanet até hoje.Claro que, pra isso acontecer, bem…
> Fazer fanzine tb não me interessa mais. Impressão, por mais vulgar que seja
> (xerox), tem um custo, né? E se eu quiser que minha HQ seja colorida? Por
> essas e outras que eu tô matutando em considerar a internet como veículo
> sério.Idem. Sem contar na abrangência, que
é a vantagem mais óbvia da rede. Montando
um site legal e agregando valores ao material,
é capaz de se criar uma base bacana de leitores.> O Alexandre Soares tinha um projeto no site Anime Pró pra veicular “mangá
> nacional”, e me disse que tinha muitas visitas, o pessoal ia ler mesmo e
> tal… Com o tempo os autores iam brochando, infelizmente. Sabe como é: “A
> vida chama”. Mas o povo lia, sim.Eu cheguei a ler uma HQ do próprio
Alex, mas não voltei mais lá. Acho que
um dos problemas de hq’s online made
in Brazil é justamente que: ou elas estão
dentro de algum site maior, servindo de
mera categoria, ou são diversas publicações
representadas por um selo/marca/nome.Nada contra nenhum dos modelos. Mas
se formos dar uma olhada nos exemplos
americanos, os webcomics que fazem
sucesso e dão retorno são àqueles de
uma história/série num site: Questionable
Content, Diesel Sweeties, Qwantz…E os autores tem - ou procuram saber
como - as manhãs do lance das camisas,
bottons, etc.> Mesmo assim, acho que pode valer a pena. Quem tentou fazer HQ online
> reclama da grana que não aparece. O meu ponto é: se vc trabalhar com uma
> editora, TAMBÉM não vai ver a cor da grana.E pra internet, você faz do jeito
que quiser. O lance é saber se
auto-gerenciar-promover-suprir.
O artista de hoje não sabe só
fazer bem a sua arte, mas sabe
como entrar em contato com
gente certa, como “vender o seu
peixe - o “vender” ainda é um problema
pra quem faz “arte”, cê não acha?> Pode me chamar de ingênuo, mas acho que se o trabalho for legal, a coisa
> vai pra frente sim. Pra terminar, dá uma olhada nessa entrevista com o André
> Dahmer . Ele fala justamente sobre isso.Putz! Me esqueci dele!
Curto os Malvados - mas como faz
umas semanas que não acesso,
esqueci desse ótimo exemplo.Legal a entrevista. Ele sim é um exemplo
que deu certo. O tipo de sujeito que
vale a pena mandar um e-mail depois.
Com mais calma, eu vou tentar desenvolver um argumento mais estruturado sobre o assunto. Mas depois. Deixa eu curtir o fim do ano no meu ritmo, tá?
A Virgin, poderosa corporação da indústria fonográfica, decidiu investir no mercado de histórias em quadrinhos. Ano que vem, as publicações da editora chegarão em solo tupiniquim através da Panini Comics.
Mas enquanto isso não acontece, não custa aproveitar e dar uma lida no primeiro número de Seven Brothers, criação de John Woo com roteiro de Garth Ennis, que a nova editora divulgou através do site Newsarama.
Me Add, malandro.
Erica Awano não deve abrir mão de um bom filtro solar ultimamente. Descendente de japoneses, a moça de olhos puxados e de corpo pequeno e pálido anda aportando freqüentemente em solo nordestino nos últimos tempos. Requisitada para eventos de mangá e anime em estados como Sergipe e Pernambuco, a desenhista finalmente aportou – para a surpresa de muitos – na capital alagoana. Sempre com um sorriso no rosto e uma acessibilidade incrível, ela veio participar do Daisuke, encontro sediado nos dias 9 e 10 de dezembro no CEFET.
Formada em Letras pela USP, Erica ficou conhecida no circuito nacional de quadrinhos ao desenhar a mais bem-sucedida série mensal brasileira dos últimos anos: Holy Avenger, escrita por Marcelo Cassaro, que durou 40 edições e mais alguns especiais. Artista talentosa e profissional cumpridora de prazos, ela veio à Maceió para um bate-papo com os fãs e para ministrar uma oficina sobre técnicas de ilustração para quadrinhos no estilo mangá. E foi no sábado 09, tarde ensolarada e preguiçosa na capital do Paraíso das Águas, que Erica subiu no palco do auditório do CEFET, puxou o microfone e, num caloroso tom informal, falou sobre sua carreira, Holy Avenger e o quadrinho nacional.
PEQUENA ESTATURA, ALTA VISÃO
Com pouco menos da metade do auditório preenchido, a organização do Daisuke interrompeu a exibição de animes para dar início a palestra da mangaká Erica Awano. Já devia passar das quatro horas quando a desenhista pediu que a audiência optasse pelo tipo de conversação preferida: uma palestra, onde ela falaria, falaria, falaria, e nós ouviríamos, ouviríamos, ouviríamos; ou um bate-papo a ser iniciado por uma breve apresentação de sua carreira, para que depois fosse aberto o espaço para perguntas da platéia.
Escolhido o modelo número dois, Erica deu início ao relato de seus percalços profissionais: parida para o mercado nacional inicialmente na revista Megaman, seu primeiro trabalho realmente profissional foi na mini-série Street Fighter Zero 3, lá pelo fim da década de noventa. Marcelo Cassaro, o roteirista da referida HQ, ao provar parte do potencial da desenhista, decidiu investir pesado naquele novo talento. E a convidou para participar de uma nova série mensal, a Holy Avenger, da editora Trama (posteriormente Talismã).
O que parecia ser mais uma frustrada tentativa de publicação tupiniquim em suas próprias bancas, tornou-se um verdadeiro ponto de referência no mercado e um sucesso que não se via há mais de trinta anos. Com 40 números publicados, além de algumas edições especiais (além das republicações interrompidas), Holy Avenger criou um público cativo e raro em solo verde-amarelo. Hoje, a criação de Cassaro e Awano é negociada com um patrocinador secreto para transformar-se numa série animada de três temporadas ou numa animação de longa metragem para os cinemas.
Sobre as negociações envolvendo Holy Avenger, Erica não trouxe grandes novidades. Do dia em que saíra de São Paulo para participar do evento em Maceió, o potencial patrocinador não havia dado o retorno definitivo para que se começasse a produção – apesar disso, diversos storyboards dos episódios da primeira temporada já foram elaborados.
Atualmente, a ilustradora atua no lápis da série bimestral Dragon’s Bride, publicada na revista de RPG DragonSlayer – onde, mais uma vez, seu parceiro é o escritor Marcelo Cassaro – e na minissérie Ethora: O reino do esquecimento, com roteiro de Beth Kodama, para a editora Kanetsu Press.
Com o fim do ciclo de perguntas óbvias sobre Holy Avenger, a língua afiada de Erica teve a oportunidade de comentar um pouco mais sobre o “quadrinho nacional”. Na opinião da desenhista, ela – assim como as pessoas com as quais trabalha – não faz “mangá nacional”, mas quadrinho nacional. Não importa se no miolo os olhos são grandes e cintilantes, ou mesmo que a escola na qual as histórias se alicerçam seja estrangeira, mas no fato de existir um “jeitinho” brasileiro em algum lugar.
Para melhor explicar seu ponto de vista, ela utilizou exemplos tirados do mundo da prosa: Machado de Assis e Edgar Allan Poe. Awano comentou que, na bibliografia dos autores, há contos que se chocam pela similaridade das histórias. A desenhista não lembrou o nome correto das obras – e eu não consegui nada no Google –*, mas afirmou que ambas giravam em torno de um homem que fora contratado para cuidar de um rico velho excêntrico. Nas duas tramas, seus respectivos protagonistas passavam por diversas humilhações nas mãos dos patrões; em certo ponto, eles acabavam por matar os velhinhos irritantes.
A diferença, ressaltou Erica, estava em como os casos foram encerrados.
Na obra de Poe, o remorso levou o protagonista até o limite, fazendo com que o próprio se delatasse mesmo quando as investigações não apontavam para ele. Na mão machadiana, o personagem principal também foi afetado por um sentimento de culpa; mas o caráter um tanto quanto corrompido do brasileiro fez com que ele mantivesse segredo sobre seu crime e desfrutasse da dinherama do ex-patrão.
O ponto de vista cultural. Foi este o elemento que ela quis destacar para que qualquer artista brasileiro possa se encontrar na sua produção. E não achar, por exemplo, que dar nomes “japoneses” aos seus personagens fará do seu “mangá nacional” melhor que os outros – algo que me arrancou um sorriso irônico e me fez pensar em toda a molecada fanzineira alienada de sempre. O estilo – no caso, o mangá – nada mais é do que uma plataforma para você remixar o que vem de fora e mixar o que vem de dentro.
E quando remixar, tenha a certeza de fazer corretamente: dois casos contados pela Erica arrancaram risos da audiência. O primeiro deles foi sobre um fanzine de samurai feito por um adolescente brasileiro. Na história, o samurai meditava recostado numa cerejeira (segundo a desenhista, um dos maiores clichês nas histórias de samurai). Até aí, nada demais… se o autor não tivesse especificado que a história estava se passando no mês de outubro, quando o Japão está enfrentando o inverno – e o espetáculo do florescimento da cerejeira só acontece na primavera, no começo do ano, num período de uma semana. Razão pela qual ela é tão cultuada por lá.
O segundo trata de um sujeito que lançou seu mangá nacional como um mangá oriental – com a leitura de trás para frente, da direita para a esquerda. E foi execrado pela crítica e pelos leitores do gênero em diversos fóruns na internet. Afinal, a leitura invertida não tem necessariamente a ver com o estilo de quadrinho nipônico, mas com o fato de que é assim que eles lêem na terra do sol nascente. E o negócio é ainda pior do que parece: o autor achou que a leitura ao contrário era feita apenas com a inversão da página no modelo ocidental. E quando fez isso com as suas páginas, destruiu boa parte da lógica da narrativa.
Nesse momento, Erica Awano não era apenas a desenhista de Holy Avenger, o sucesso-que-muitos-não-viam-há-anos-nas-bancas-brasileiras, mas uma palestrante ciente do que verbalizava. Mesmo com o tom de “eu faço quadrinhos nacionais”, ela reconheceu que a não-existência de um mercado sério e bem estruturado faz com que essa definição seja vaga – qual é a verdadeira cara do quadrinho tupiniquim se a produção é pífia e de má-qualidade (em sua maioria)? Ela apontou também que o (possível) caminho para algo com a nossa cara não está em “fazer histórias sobre índios” - argumento aplaudido por qualquer pretenso escritor de quadrinhos neste país com mais de dois neurônios –, mas na diversidade de nossa sociedade. Levantando, já na última parte do bate-papo, suas analogias mais certeiras e afiadas.
Voltando-se para a questão da contextualização de histórias em solo brasileiro, Erica comentou achar curioso que num país como o Brasil, com tantas religiões diferentes convivendo tão próximas uma das outras, nós nunca enfrentamos conflitos como no Oriente Médio. O que há por trás de uma sociedade como a nossa que permite isso? E tal fato já não seria por si só um bom caldo para se ambientar ou se inspirar uma trama com o nosso ponto de vista? Considerando que podemos, pelo menos no meu raciocínio, implementar qualquer gênero de ficção seguindo esse pensamento – ou você é daqueles que acha que Cidades de Deus é só um filme “sobre a realidade das favelas do Rio” e não uma grande história de gangster à brasileira?
No meio dessa discussão, o que mais me espantou foi quando Erica se voltou para a história do nordeste: como boa graduada em Letras, ela citou a época em que, graças à produção da cana-de-açúcar na região, o nordeste era a base sócio-econômica do país. Com isso, a Literatura produzida aqui era levada em alta conta. Quando o centro econômico foi levado para o sudeste, a Literatura dos autores nordestinos foi denominada de “regionalista”, e os escritores de São Paulo diziam buscar e produzir a verdadeira Literatura “Brasileira”. Segundo Awano, uma contradição, já que eles se valiam de modelos europeus para elaborarem suas obras – e as tais obras “regionalistas” eram tão brasileiras e universais quanto as deles. E citou Guimarães Rosa como exemplo maior.
A conversa terminou com o tom informal que teve no início e, no meio de todas as minhas reflexões e excitações sobre quadrinhos pós-palestra, acabei me perguntando: Tem como não cair na conversa de uma mulher inteligente e que te faz rir?
(*) O Fábio Souza, do mundesing.org, deu a dica nos comentários: o conto do Machado de Assis se chama “O Enfermeiro“. Nada ainda sobre o conto do Edgar.