Comentário do Jean Okada no post “Quadrinhos na rede”:

Tenho pensado muito nisso de uns meses pra cá. Tenho impressão de que isso virou uma coisa “comum” entre os gringos, mas aqui ninguém parece interessado (em fazer, não ler). Por que será?

Eu pedi permissão para publicar o comentário em aberto e, em cima dele, tentar desenvolver o meu ponto de vista sobre o tema – o qual estava coçando no canto da cabeça para sair através dos dedos. Mas acabamos trocando um e-mail aqui e acolá, e acho que eles ficaram bem mais interessantes de se postar (apesar de que se eu fosse escrever mesmo sobre o tema, desenvolvendo-o de modo adequado, não sairia do jeitinho impulsivo que vocês lerão a seguir).

De: Pablo Casado
Para: Jean Ok
Data: 16/12/2006 14:08
Assunto: Re: [] Comment: “Quadrinhos na rede”
2006/12/15, Jean Ok :
> Comment:
> Tenho pensado muito nisso de uns meses pra cá. Tenho impressão de que isso virou uma coisa “comum” entre os gringos, mas aqui ninguém parece interessado (em fazer, não ler). Por que será?

Jean,

posso usar o seu comentário como
ponto de partida para um novo post
sobre o assunto? =)

De: Jean Ok
Para: Pablo Casado
Data: 16/12/2006 16:06
Assunto: Re: [] Comment: “Quadrinhos na rede”

Pode. Embora ele não fosse necessário pra se abordar o assunto. =)

Realmente acho que pelo ponto a que chegou o “mercado” nacional de HQ, não há mais muito sentido em continuar procurando editoras pra publicar. Nem mesmo por motivos financeiros, uma vez que nenhuma delas PAGA aos autores. Então, pra quê editora?

Fazer fanzine tb não me interessa mais. Impressão, por mais vulgar que seja (xerox), tem um custo, né? E se eu quiser que minha HQ seja colorida? Por essas e outras que eu tô matutando em considerar a internet como veículo sério.

O Alexandre Soares tinha um projeto no site Anime Pró pra veicular “mangá nacional”, e me disse que tinha muitas visitas, o pessoal ia ler mesmo e tal… Com o tempo os autores iam brochando, infelizmente. Sabe como é: “A vida chama”. Mas o povo lia, sim.

Mesmo assim, acho que pode valer a pena. Quem tentou fazer HQ online reclama da grana que não aparece. O meu ponto é: se vc trabalhar com uma editora, TAMBÉM não vai ver a cor da grana.

Pode me chamar de ingênuo, mas acho que se o trabalho for legal, a coisa vai pra frente sim. Pra terminar, dá uma olhada nessa entrevista com o André Dahmer . Ele fala justamente sobre isso.

De: Pablo Casado
Para: Jean Ok
Data: 16/12/2006 16:57
Assunto: Re: [] Comment: “Quadrinhos na rede”

> Pode. Embora ele não fosse necessário pra se abordar o assunto. =)

Pois é: eu tava a fim de desenvolver,
mas meio com preguiça. Teu comentário
estimulou algo na minha cabeça. =)

> Realmente acho que pelo ponto a que chegou o “mercado” nacional de HQ, não
> há mais muito sentido em continuar procurando editoras pra publicar. Nem
> mesmo por motivos financeiros, uma vez que nenhuma delas PAGA aos autores.
> Então, pra quê editora?

Por essas e outras que o Mutarelli deve
ter “desistido” de quadrinhos. Ganhar uma
miséria pelo valor de capa não compensa
quando tua tiragem é de 2.000 exemplares
e demora mais de um ano pra esgotar.

Tudo bem que boa parte das editoras não
tem lá tanta estrutura para bancar material
autoral tupiniquim - mas as porcarias das
leis de incentivo, principalmente a Rouanet,
estão aí pra isso.

Imagina os caras bancarem alguém com
pós ou mestrado em elaboração de projetos
pra fazer algo com os editores. Passando
num troço desses, se paga todo mundo e
é só trabalhar em cima do resultado. A Bravo!,
por exemplo, é publicada com auxílio da
lei Rouanet até hoje.

Claro que, pra isso acontecer, bem…

> Fazer fanzine tb não me interessa mais. Impressão, por mais vulgar que seja
> (xerox), tem um custo, né? E se eu quiser que minha HQ seja colorida? Por
> essas e outras que eu tô matutando em considerar a internet como veículo
> sério.

Idem. Sem contar na abrangência, que
é a vantagem mais óbvia da rede. Montando
um site legal e agregando valores ao material,
é capaz de se criar uma base bacana de leitores.

> O Alexandre Soares tinha um projeto no site Anime Pró pra veicular “mangá
> nacional”, e me disse que tinha muitas visitas, o pessoal ia ler mesmo e
> tal… Com o tempo os autores iam brochando, infelizmente. Sabe como é: “A
> vida chama”. Mas o povo lia, sim.

Eu cheguei a ler uma HQ do próprio
Alex, mas não voltei mais lá. Acho que
um dos problemas de hq’s online made
in Brazil é justamente que: ou elas estão
dentro de algum site maior, servindo de
mera categoria, ou são diversas publicações
representadas por um selo/marca/nome.

Nada contra nenhum dos modelos. Mas
se formos dar uma olhada nos exemplos
americanos, os webcomics que fazem
sucesso e dão retorno são àqueles de
uma história/série num site: Questionable
Content
, Diesel Sweeties, Qwantz

E os autores tem - ou procuram saber
como - as manhãs do lance das camisas,
bottons, etc.

> Mesmo assim, acho que pode valer a pena. Quem tentou fazer HQ online
> reclama da grana que não aparece. O meu ponto é: se vc trabalhar com uma
> editora, TAMBÉM não vai ver a cor da grana.

E pra internet, você faz do jeito
que quiser. O lance é saber se
auto-gerenciar-promover-suprir.
O artista de hoje não sabe só
fazer bem a sua arte, mas sabe
como entrar em contato com
gente certa, como “vender o seu
peixe - o “vender” ainda é um problema
pra quem faz “arte”, cê não acha?

> Pode me chamar de ingênuo, mas acho que se o trabalho for legal, a coisa
> vai pra frente sim. Pra terminar, dá uma olhada nessa entrevista com o André
> Dahmer . Ele fala justamente sobre isso.

Putz! Me esqueci dele!

Curto os Malvados - mas como faz
umas semanas que não acesso,
esqueci desse ótimo exemplo.

Legal a entrevista. Ele sim é um exemplo
que deu certo. O tipo de sujeito que
vale a pena mandar um e-mail depois.

Com mais calma, eu vou tentar desenvolver um argumento mais estruturado sobre o assunto. Mas depois. Deixa eu curtir o fim do ano no meu ritmo, tá?