Eu resisti, querendo evitar “ofender” alguém (seja o autor da pérola a seguir ou quem curte o seu trabalho), mas o assunto é muito divertido e surreal para não ser postado. Então, segue o relato do legítimo Alan Moore brasileiro:

“Também não sou fã do barbudinho
Amigo Antonio,

Agradeço o novo convite para dar uma comparecida aqui. Se não for assim, nunca tenho tempo de sair procurado os assuntos sobre quadrinhos que sejam interessantes.
Portanto, grato pelos constantes avisos. Sempre que posso, vou nos atalhos ver e, se possível, dar alguma opinião.
Sobre o tal Alan Múúú, também não gosto das coisas que ele escrevia. Digo “escrevia”, no passado, porque hoje não leio mais nada. Conforme já lhe disse antes, passo longe dessas produções atuais dos supers estadunidenses.
O interessante é que esse sujeito é famoso por quebrar tabus, desafiar regras e tentar fazer diferente. Por isso, criou por aqui um monte de fanzinhos fanáticos. Endeusam o cara e o põem nas nuves por causa dessa tendência dele a se rebelar contra os padrões e as regrinhas estúpidas.
Porém, quando é Brasileiro que vai fazer isso, é acavalhado, pisoteado, execrado… só faltando mesmo ser quimado em praça pública.
Quer um exemplo ? EU.
Há anos faço praticamente o mesmo do barbudinho, em termos de tentar escapar da padronização e produzir algo diferente e contra as imposições e modismos do mercado de quadrinhos. Mas aí, por causa dissso, ao invés de ser endeusado, sou severamente criticado (até a nível pessoal, como se o fato de não gostarem do que produzo lhes desse o direito de me xingar e destratar).
Coisas de Brasil.
Abs.
Emir”

Esqueci de outra
Enquanto esse sujeito se entope de drogas e todo mundo acha bonito, e faz personagens de pau azul de fora, ou um comissário de polícia pelado… aqui no Brasil metem o pau porque minha Velta anda de pouca roupa e não é assexuada.
Velta não toma droga alguma, não bebe e não fuma (e passa nos roteiros mensagens contra esses vícios nefastos), mas… ninguém vê esse bom exemplo, e muito menos louvam a iniciativa. Preferem se prender a besteiras do tipo a sensualidade dela.
O que é melhor: sexo ou drogas ? Ou dando respectivas interpretações: é melhor a energia construtiva ou a energia destrutiva ?
Nem precisa ser muito inteligente para responder, não é ?
Mas não é o que pensam certas pessoas bitoladas.
Sem falar que é forte hoje em dia o culto à marginalidade, ao banditismo, ao vandalismo, à falta de educação e tudo mais que de ruim mostra a TV e a mídia em geral.
É o fim do mundo, amigo.
Abs.
Emir

Uma vergonha, não acham?