Num mercado que se retrai progressivamente, muda o perfil daquela que já foi a mais rentável e autosuficiente área da cultura nacional, a Música Popular Brasileira. Agora, além de não vender discos o bastante para se sustentar, a MPB também faz shows subvencionados pelo governo, ou discos e DVDs. São muitos exemplos. Autora do disco mais vendido de 2005, Perfil (Sony-BMG), a cantora Ana Carolina ainda assim precisou pedir ajuda das leis de incentivo para ir para a estrada no ano passado. Para fazer sua turnê por Rio e São Paulo, Ana Carolina requisitou R$ 843 mil à Lei Rouanet, e conseguiu captar R$ 700 mil. Os ingressos para o seu show custavam em média R$ 120.
Ana Carolina não é um caso solitário na MPB. Daniela Mercury levantou R$ 814 mil da Lei Rouanet para fazer 12 apresentações. O show Brasileirinho 2, de Maria Bethânia, pediu R$ 1 milhão, e já conseguiu captar R$ 300 mil. A turnê percorre 27 cidades. Beth Carvalho festejou seus 60 anos com uma festa no Teatro Castro Alves, de Salvador, com diversos artistas convidados e na qual gravou um DVD e um CD comemorativos. Para tanto, pediu R$ 1,6 milhão e conseguiu captar R$ 1,3 milhão pelo sistema de renúncia fiscal.
O maior problema é que muitos artistas de menor repercussão pública têm de se virar para seduzir o mesmo patrocinador que Caetano e Babado Novo, por exemplo. É o caso da tocadora de pífano paraibana Zabé da Loca, de 82 anos, artista que viveu 25 anos numa gruta em Monteiro (PB), e que hoje tenta infrutiferamente levantar dinheiro para lançar um CD. O Ministério da Cultura reconhece, em sua nota, que o artista com menor visibilidade tem mais dificuldades de conseguir patrocínio do que um artista famoso. Ao mesmo tempo, informa que “não pode proibir ou direcionar o patrocínio aos artistas que obtenham projetos aprovados.”
Via Hector.

