Chris Lynn, blogueira norte-americana, levanta uma questão interessante – e também bastante debatida ultimamente – sobre os quadrinhos norte-americanos:

But the fucking comics need to be made. Why? Because black and Latino girls are reading. A lot. I see them. They’re piling onto trains and buses with little colorful paperbacks tucked into their pockets. And those colorful little paperbacks are full of shit. Complete and utter pandering materialistic gangsta bullshit. Stories where women are lucky to find a man who isn’t too abusive and can treat her like a high-priced call girl. Stories where girls don’t save the day by fighting the bad guys, they survive another day by fucking them.

A Marvel, senhora das histórias “realistas”, tem lá sua heroína chicana, a Araña. Mas nada, pelo visto, digno de nota por parte dos leitores e da crítica. A DC, no entanto, tenta variar seu alcance – o novo Besouro Azul é um adolescente latino, a nova Batgirl é uma socialite lésbica e um selo inteiramente dedicado ao público feminino, Minx, estará estreando ainda neste primeiro semestre, lá nos states.

Mas apenas isso não parece agradar ao público mais alternativo.

A série Supergirl, por exemplo, vem recebendo uma porção de críticas negativas por sua abordagem festeira da heroína, no melhor estilo Paris Hilton. Pior, também, para o roteirista Joe Kelly, responsável por essa nova direção da personagem, e que há um bom tempo não vem escrevendo nada realmente divertido – sua marca registrada.

A própria proposta do selo Minx não parece ter obtido o impacto que a DC esperava. Atitudes como a de Lynn mostram isso: potenciais leitores de quadrinhos não se sentem valorizados pelo que é publicado no mainstream (leia-se super-heróis). E por que não diversificar, ousar, sem necessariamente complicar? O Authority escrito por Mark Millar não foi reconhecido por diversas entidades gays norte-americanas pelo modo como tratou o relacionamento entre os heróis Meia-Noite e Apolo? Isso sem precisar envolver 60 anos de cronologia?

Porque a Batgirl lésbica é apenas um rostinho na série semanal 52, que está quase acabando. E aí, quando terminar?