BIT HUNTER GIRL é a minha idéia de banda cover descolada em forma de uma história em quadrinhos. Trata-se de uma mistureba pop tocada com arranjos que tentam soar diferenciados – tentam porque só no final do show é que vocês, a audiência, poderão dizer se o que foi apresentado realmente trouxe algo de novo ou inusitado – e, principalmente, divertidos. Por que não é isso que queremos de um grupelho que se dá ao trabalho de tocar os hits dos nossos artistas preferidos: pura e simples diversão?
Tudo bem, a proposta acima é meio que uma isca para cativar os desavisados e pode soar falsa no todo para os mais ligados – propositalmente. Porque a minha meta nada secreta com essa personagem e o universo que a cerca é apenas um: aprender. Eu quero descobrir a freqüência comum da cabecinha do leitor médio e sintonizar nela, e esse será meio caminho andado para cair no gosto pop-ular. Os outros 50%, claro, vem do meu talento e esforço para que as coisas dêem certas.
A primeira tentativa com esse teste-sério veio na forma de fanzines: BIT HUNTER GIRL, máxi-série em 12 edições a serem vendidas nas convenções de mangá/anime e RPG de Maceió e, para o restante do país, através do site da NAPALM!. Não deu certo porque os eventos realizados na capital alagoana não têm o mesmo fluxo dos realizados nos grandes centros do sul, nem nós dispúnhamos de uma grana bacana pra tirar uma xerox melhor e dar um acabamento decente; e o site do selo maceioense havia ido pras cucuias, sem previsão de volta recente.
Com duas edições produzidas e com quase ou mais de cinqüenta cópias fabricadas – das quais, hoje, devem sobrar menos de dez juntando números 1 e 2 –, percebi que esse seria um processo de execução cansativo e broxante. Uma hora ou outra, eu iria desistir. Ou então o Pablo (Peixoto, o desenhista) cansaria do não-retorno do público o qual não conseguíamos alcançar e ia partir pra outra. Se eu quisesse salvar o barco e levá-lo para uma rota segura, esse seria um bom momento.
Foi aí que as novas notícias positivas sobre quadrinhos virtuais e o surgimento de nichos de mercado digital no Japão começaram a dar um nó na minha cabeça. Sempre achei sedutora a idéia de colocar algo na rede que desse algum retorno financeiro – tem uma pá de artistas independentes norte-americanos que, na Internet, encontrou seu público consumidor. Dada as devidas proporções – metade da população estadunidense tem acesso à rede, enquanto cerca de 10% ou menos dos brasileiros estão conectados residencialmente –, isso tinha que dar certo aqui de algum modo.
No Brasil, os Malvados, a tirinha-website do André Dahmer, dá certo. Ele fatura seu ‘troco’ com a venda de camisas personalizadas, um álbum com diversas das tiras publicadas on-line e propagandas do Google ad-sense. O negócio dá certo porque o trabalho do Dahmer tem qualidade e ele sabe bem respeitar uma das coisas mais importantes para um leitor assíduo: periodicidade. Quando vai tirar férias ou não dá pra atualizar, ele logo avisa na página principal. Um casamento perfeito entre qualidade do produtor e do atendimento ao consumidor.
Por essas e outras que a rota do barco BIT HUNTER GIRL tomou rumos virtuais. E nada mais adequado para uma série que trata de um programa anti-vírus semi-consciente a lá Megaman, certo? O Peixoto concordou, e chegamos num consenso também em relação à produção das histórias e de suas publicações: ele já terminou a arte da edição 3 e deve começar o processo de reticulamento ainda esta semana. E eu vou continuar o script do número 4 de onde parei. E assim mantemos a produção de pelo menos uma história por mês.
A idéia é que, em junho, estréie o site oficial da série – que será publicada mensalmente (ou quinzenalmente, dependendo de alguns fatores) numa edição virtual gratuita de extensão .cbr, com oito páginas de conteúdo, capa, contra-capa, páginas extras com o making-of do gibi e uma quarta-capa com a prévia da edição seguinte. Os leitores do Sr. Warren Ellis vão notar de cara que trata-se do formato Fell (adotado também por Matt Fraction em Casanova) de publicação: menos páginas que um gibi convencional com conteúdo de apoio para incrementar a leitura. A grande diferença, claro, está na gratuidade da nossa publicação.
O site terá outras coisas, é claro, mas isso aí a gente fala mais pra frente. Em junho, estamos no ar. Este mês, mais novidades. Por enquanto, fiquem com um preview da edição 3:

Leia também:
- Parte 3: A Arte
- Parte 2: Formatação original
- Parte 1: A Proposta


Danilo Valeta said:
Deveria ser publicado 1 página por vez, e não em “TPB” virtual de 8 páginas… A idéia por trás desse modelo de negócios é que o cara te visite todo dia ou no mínimo toda semana… não uma vez por mês.
2 hours after the fact.Hector Lima said:
como leitor e chato sugiro que faça ambos os esquemas.
2 hours after the fact.Pablo Casado said:
Danilo: Essa questão das visitas vai ser um problema, mesmo com esse método de colocar uma página por dia. Por isso falei da possibilidade de publicarmos quinzenalmente. Mas vou pensar direito sobre essa questão.
Hector: Não inventa mais trabalho pra mim, pô, haha.
3 hours after the fact.Rafael Teixeira said:
olha só, a tua lista de Most Popular Posts está com algum bug..
3 hours after the fact.todos os links apontam sempre pro post que está sendo vizualizado..
só pra avisar..
[]’s
Massula said:
Gostei, Pablo.
Eu acho o formato Fell (ou Slimline) o maior barato e também tenho pensado em brincar com ele, num futuro próximo.
7 hours after the fact.Cadu Simões said:
Cara, Bit Hunter Girl até que vendeu bem aqui em Osasco. Tanto que só sobrou uma única edição de cada número comigo. E isso me lembra que eu preciso te pagar também =)
7 hours after the fact.Danilo Valeta said:
Visita não é problema, é solução.
8 hours after the fact.Público se forma com o tempo…
Massula said:
Bom, tô respondendo aqui mesmo pra não perder o contexto da conversa.
A princípio, pensei em fazer em papel mesmo, mas agora venho pensando mais e mais no bom e velho .cbr (ou até mesmo .pdf)
A estrutura da revista seguiria à risca as do formato slimline/Fell. 16 páginas de hq + 4 de extras + 4 capas (que poderiam ser utilizadas para mais extras ou para publicidade).
A única diferença seria que, ao invés de ser uma hq de 16 páginas, eu queria publicar 2 de 8, dois títulos diferentes. E sim, LIBRA estaria seria um destes títulos. Se fosse impressa, eu cobraria, se fosse em meio eletrônico (continua)
23 hours after the fact.Massula said:
(continuando)
((Eita! Não sabia que o sistema de comentários do blogsome tinha número limitado de caracteres))
Se fosse em meio eletrônico, eu ia procurar outra maneira (talvez como o Dahmer) de capitalizar isso.
Mas, como sempre estamos muuuuuiiiittoooo atrasados, e eu já estou começando a ficar, MAIS uma vez, brocha com essa parada de fazer hq.
23 hours after the fact.