Ela está prensada contra a parede descascada. Suas pernas tentam conter o avanço de uma outra perna, uma masculina; esta obviamente servindo como metáfora física para determinado membro. Sua saia jeans, pelo menos, não sobe, o que poderia revelar mais do que ela gostaria além das coxas ainda em formação. Um sorriso tomava seus lábios enquanto ele a beijava daquele modo juvenil, impetuoso em busca do pote de mel.
Ela não devia ter 16 anos.
Escondido na esquina da parede, o amigo gay – não que essa caracterização seja proposital ou mesmo preconceituosa, mas pelo fato de que ele era mesmo gay – ria e contorcia os braços ao ouvir (ou simular que ouvia) os gemidos dos jovens amantes. Jogou os livros e caderno dela no chão próximo a eles, na tentativa de interromper a simulação de intercurso. Não conseguiu. A pontada de inveja deve ter ficado mais afiada depois disso.
Mas as coisas esfriaram antes que o desbravador conseguisse, pelo menos, vislumbrar o tesouro. A mocinha recolheu do chão os pudores, livros e caderno e, com aquele sorriso de vitória no rosto, correu para o curioso amigo. Ambos saíram trocando segredos sobre o que havia se passado enquanto o co-protagonista, o rapazote (que devia passar, sim, dos 16), lançou um dos braços sobre a parede e ficou com aquele ar de decepcionado. No ônibus em que eu estava, a platéia permaneceu em silêncio – pelo menos, aquela que percebeu o pequeno showzinho nos fundos da escola pública pela qual o nosso transporte coletivo, que esperava o sinal ficar verde, passava.
O semáforo abriu e nós, entupidos no ônibus, continuamos. O rapaz ficou lá, provavelmente de pau duro.

