O problema dessas datas comemorativas é que, na maioria delas, você não será capaz de presentear a todos. Na verdade, nem todos merecem, e quem é crescidinho o bastante sabe que esses dias de celebração servem mesmo para deixar os nossos bolsos mais leves – porque quem merece ser presenteado não precisa de data certa para receber qualquer tipo de agrado, material ou não.

Mas hoje eu preciso abrir uma exceção e um pouco disso que a gente chama metaforicamente de coração: você não fica grudado, quase que literalmente, com uma pessoa por um ano e meio e deixa passar a data batida. Daqui a uns vinte anos vá lá, porque todo dia, mesmo que você não perceba, vai ser especial. Imagina o que é passar mais de vinte anos com a mesma pessoa, e ela aturando teu mau-humor, frases idiotas fora de hora, peidos e todo tipo de carinhos – e vice-versa.

Cronologicamente, Ana e eu estamos no mesmo barco há um ano e meio desde o último domingo, dia final do feriado prolongado, aproveitado com descanso, refeições fora de hora e filmes e séries – “Fonte da Vida”, “Fale com ela” e uma mini-maratona com os primeiros quatro episódios da temporada um de “Roma” (vistos completamente fora de ordem por erro meu na hora de gravar o DVD). A idéia é que o barco continue nessa rota pro resto da vida. Claro, ela pode tentar me atirar fora dele e eu posso tentar sufocá-la com algum desses gases nocivos que meu estômago vive produzindo… Nunca se sabe.

Mas hoje é dia de abrir exceções.

Nada de trocarmos presentes. Nada de jantarmos fora. Hoje, ela decidiu o que vamos comer. E escolheu vinho para acompanhar, que eu me nego a beber em todo tipo de situação porque sou chato para caramba com essa porcaria de bebida; mas que, hoje, vou beber. Porque é dia de abrir exceções pela mulher certa. Ela escolhe os comes e bebes, a trilha sonora e o que mais quiser. A minha função, basicamente, é aproveitar. Não por obrigação.

Mas porque até o vinho mais doce não tem como ser ruim quando é a mulher certa que escolhe pra gente.

Feliz dia dos namorados.