O nome de Alagoas tornou-se lugar-comum nos últimos meses - principalmente nos 30 dias mais recentes - em todos os meios informativos do país. Os motivos, para a infelicidade dos conterrâneos que acompanham os fatos escabrosos, são os tropeços embriagados do governo azul de Téo Vilela Filho e o escandaloso affair do Presidente do Senado Renan Calheiros, do PMDB, com seus bois dourados (a Mônica Veloso deveria ser preocupação da Playboy, perita em acolher mulheres traídas, demitidas e que sofreram qualquer outro tipo de baque em sua vida pública).
O alagoano, considerando estas situações em particular, atua como de costume: se sente envergonhado, diminuído perante o resto da nação. O que seria uma atitude compreensível, caso Alagoas fosse a terra de pessoas honestas e puras e decentes e cristãs; e se os corruptos e ladrões e assassinos e calhordas só existissem nos demais estados componentes da Federação. Ambas as situações, obviamente, são mais do que irreais. Não que sentir vergonha de viver num mar de corruptos seja errado.
Mas meter a cara embaixo da terra porque Alagoas tem lá seus corruptos, pera lá.
A baixa auto-estima do alagoano não vale mais do que merda de minhoca. Porque a merda de minhoca, ao menos, aduba. A baixa auto-estima do alagoano, para um outro que já conseguiu se desfazer dessa maldição, é vexatória. Coisa que, como muitos sabem, não é de hoje. A situação é tão caricata que basta um alagoano se “dar bem” em outras bandas que isso é motivo de “celebração”.
O problema é que eles não enxergam o melhor da atual situação do estado: a oportunidade de mudanças definitivas em nosso contexto político e social.
Observemos os movimentos acontecidos nos seis meses deste primeiro semestre: greve de professores, greve de médicos e, por fim, a greve dos motoristas e cobradores do transporte público, que quase lançou a cidade no caos definitivo. As mancadas da atual gestão estadual e o embrólio do caso do Senador Calheiros abriram brechas para as reclamações, ironias e movimentos de paralisação. Apesar de um ou outro oportunista, eles (os movimentos) são justificáveis.
Mas nada disso seria possível se não fosse pela menina dos olhos do estado: Maceió, nossa sereia.
Porque crimes de mando, pistolagem, corrupção nos poderes públicos, trabalho escravo… tudo de torto acontece no interior. Pelo que sinto, e faço questão de usar essa expressão porque não posso compravar através de dados, que a cultura da população interiorana já assimilou esse status quo. Mas aconteceu em Maceió? Nossa, é o fim do mundo. É a sociedade civil organizada encontrando o apocalipse do séc. XXI. Revolta que você identifica nas passeatas, realizadas ao longo das orlas dos bairros de classe média alta, que pedem pela paz.
É triste, mas a verdade é essa. Maceió é uma ilha dentro de seu próprio estado.
No entanto, essa mesma ilha é a solução de boa parte dos problemas; o que nos faz voltar a idéia jogada parágrafos acima.
Estão em Maceió os indivíduos com real oportunidade de manifestação política, intelectual e cultural capazes de provocar algum estrago nos alicerces da Velha Guarda. São as pessoas que movimentam um show do Otto, por exemplo, porque elas estão com sede de novo e não se contentam mais com os shows de forró e brega pasteurizados de sempre; que lotam uma sessão tripla de filmes de arte, madrugada adentro, na salinha do Cine Sesi, porque o descaso com a distribuição e os arrasa-quarteirões hypados trazidos pelo Severiano Ribeiro não são o bastante; e que conseguem, diferente da prefeitura da capital e de certos órgãos, movimentar uma cena cultural em Jaraguá, o nosso Recife Antigo decadente, digamos.
Não cito tais grupos por serem descolados, na moda ou similares. Mas porque são os estudantes de jornalismo frustrados por só terem opção, em seu meio propriamente dito, numa única empresa, e tentam se resolver com fanzines e outros tipos de manifestações; o graduando de Direito que, com uma câmera digital na mão e uma ideologia na cabeça, mostrou o império escravocrata que a indústria da cana-de-açúcar mantém com nossos sertanejos; e o pessoal da música, sempre tentando estabelecer terreno. São as pessoas que, insatisfeitas, querem mudar o cenário. E que, ao menos, tentam fazer por onde. Com as bases políticas e mandatárias em crise, a brecha foi aberta para o golpe.
São eles que mantêm a minha crença na mudança. Que caminha paulatinamente, mas caminha.


Lel El said:
A muito tempo venho querendo me “descolar” e finalmente me “internetizar”. Aos poucos venho aceitando que a rede é uma forma de “fazer trabalhos na faculdade”. Mas, numa bela noite do show do “alguma-coisa-do-forró”, me veio a idéia de criar um blog. Seu nome seria “Maceió Vice City” em homenagem ao seriado parcialmente homônimo. Sua função seria o de desabafar o turbilhão de intolrâncias que há na mente de um jovem adulto, prestes a se formar.
4 days after the fact.Não foi para frente (como tudo que tenta ser útil neste pais), mas o que venho a dizer, não baseando em opiniões abalizadas como do Canetinha ou Oscar de Melo, diz respeito a tudo o que está acontecendo desde o início do ano. Por isso, com a devida licença ao dono do blog (um dos meus melhores amigos), ao fazer um pequeno spoiler do Maceió Vice City (e para desabafar também).
Era uma vez um pequeno estdado, situado num país culturalmente de terceiro mundo, chamado Alagoas. Lá viviam todo o tipo de gente, que lutava pelo seu bem estar, mas, simultaneamente, acomodava-se com o que tinha. Grande parte da população apenas lutava, enquanto a outra “geria” sua produção. Contudo, havia aqueles que lutavam e os quais desejavam, no melhor sentido da palavra, o lugar onde moravam.
A história dos gestores é a mais interessante. Ao manipular a massa trabalhadora, não lhes proprocionou o conhecimento suficiente a caminharem pelas próprias pernas. “Pra que!? Eles não pecisam de conhecimento porque nós fomos incumbidos de dirigí-los!” diziam eles.
Criaram sistemas de informação, controlando-a, massificando-a.
Assim, o paraíso foi-se modelando, pela vontade dos gestores, os quais elitizaram-se.
Os segundos, a maioria e que, teoricamente, possuiam o veredadeiro poder, não sabem o que fazer. Seu saber limitado, estagnou-se aos pés das elites.
A este passo, a cidade acompanhou a transformação social. Onde haveria centros culturais, há casas de show e bares onde a mulher é tratada como lixo (pobres destes, mal sabem a força que têm).
Paralelamente a isto, como força diametralmente oposta, surgiu um grupo social formado pela elite pensante do estado. Estes saíram da caverna de Platão, observaram que o mundo lá fora é cheio de luz, mas que esta é refratada ao entrar no território alagoano.
Observaram que o estado, como um todo está sofendo uma involução cultural, onde os centros de pensamento estão sufocados ante aos bares e corrupções à solta.
Ao ver o nascimento de um rival formidável, a elite, detentora de um conhecimento quase tão amplo quanto o de seu arqui-inimigo, lançou guerra ideológica, onde o campo de batalha é dentro das cabeças de toda a massa.
Destarte, a cidade tornou-se um nada cultural, onde os pensantes não tem aonde ir e o que fazer, vez que o poder de fazer (econômico) está com outros.
Com o pouco que tinham, juntaram-se a promover e esclarecer a massa. No entanto, fora tajada de alternativos, vivendo à margem da “verdadeira” cultura.
Ao vencer a batalha, a elite obserou que a massa estava do seu lado e não do seu arqui-rival, mas que, a qualquer momento este poderia contra-atacar e vencer.
Solução: adquirir mais poder “de fazer” às custas de uma massa massificada.
Robalheiras. Escândalos. Corrupção. Foram estes os instrumentos de que se dispuseram.
Hoje a guerra persiste. Entretanto, os soldados do pensar estão cada vez mais partindo para novos terrenos, deixando às moscas uma cidade que muito poderia oferecer, mas que está a base de uma estrutura feudal. Destes eu sinto pena. Outros, por sua vez, redem-se àquela elite e vislumbram-se com falso poder. Destes eu sinto raiva.
Aonde vai dar esa guerra eu não sei. Na verdade, pra ser sincero, eu em sabia os caminhos que esse texto iria tomar. Só queria desabafar um pouco. Valeu pelo espaço, Pablo.