HARRY POTTER precisa morrer.
Nós americanos apreciamos a conclusão. Não — nós precisamos de uma conclusão.
Os britânicos não possuem esse tipo de senso. Eles demonstram quase que ilimitada paciência (o que explica o críquete) quando o assunto em questão trata de “resolução”. Nós ianques, no entanto, não gostamos de finais fru-frus. Nós gostamos das coisas definitivamente bem amarradas.
O excerto acima foi retirado de um artigo do New York Times escrito por Damon Lindelof, co-criador da série LOST, no qual ele opina sobre o destino do menino-bruxo mais famoso da literatura mainstream contemporânea e o porquê dos americanos preferirem finais mastigados.
O texto é extremamente besta, a começar pelo que o extrato acima reflete. E contraditório, considerando que Lindelof é o co-criador de uma série conhecida por deixar mais pontas soltas do que resolvê-las ao longo dos episódios.
Não me entenda mal: eu faço parte da audiência de LOST e adoro o seriado. O próprio Lindelof, inclusive, é responsável por diversos dos meus episódios favoritos. Mas cá entre nós: pretensão demais dele achar que finais amarrados (mesmo quando ele especifica que é na opinião dos “americanos”) são os que realmente funcionam para a audiência e que os britânicos terminam tudo com as pernas para o ar, estragando a conclusão de suas obras.
Em seu argumento, ele atesta que, agregado aos finais amarrados, deveria vir o componente surpresa. Porque é isso que a audiência espera. Que o digam os fãs de M. Night Shyamalan, hein?
Acho que os dois tipos de finais funcionam. O legal dos ingleses, considerando o argumento do Lindelof como válido, é que eles não querem simplesmente nos apanhar com surpresas ocultas nas mangas; eles querem nos desafiar com um final aberto a interpretações. Coisa que encontramos em outros europeus, à propósito.
Fonte: Alexandre Maron.