O hype é uma coisinha realmente maliciosa. Esperava-se que 2007 seria “o” ano das continuações. Homem-Aranha 3, Quarteto Fantástico e o Surfista Prateado, Piratas do Caribe 3: No Fim do Mundo, Shrek Terceiro passaram… e nenhum pareceu merecer levar o título de blockbuster norte-americano da temporada. O vencedor, no entanto, acabou caindo nas mãos de uma película estreante: o revival em live action de Transformers, os brinquedos mais famosos da empresa Hasbro.
Não que o hype estivesse necessariamente a favor da película produzida pela Dreamworks de Steven Spielberg. Pelo contrário: além do pavor óbvio dos fãs dos personagens em ver uma transposição aquém do esperado na tela grande (mesmo com o poderio dos efeitos especiais de hoje, o receio foi tremendo), a coisa ficou séria quando o nome de Michael Bay foi anunciado como diretor do filme. Quem não se perguntou se a escolha do sujeito que comandou “pérolas” como Pearl Harbor e A Rocha foi uma lástima, que atire a primeira pedra.
Mas se os primeiros trailers impressionaram, o filme em si fez muita gente morder a língua. Eu mordi: Transformers é um primor de efeitos especiais e de nerdices por minuto quadrado. Michael Bay, finalmente, foi 100% bem-sucedido numa empreitada cinematográfica.
Há uma história rasa (e com um bocado de furos, claro), mas que cumpre bem o seu papel. Basicamente, trata da guerra de milhares de anos entre os Autobots e Decepticons, originários do planeta Cybertron. O conflito chega à Terra quando as máquinas orgânicas disputam a posse do All Spark, item capaz de dar a vitória certa para qualquer um dos lados em combate. O que nos leva a Sam, personagem interpretado por Shia Lebeouf, o atual detentor da localização do artefato. Ao lado da gatíssima atriz Megan Fox e sua barriga moldada à mão, Lebeouf topa com figuras do naipe de John Turturro, Anthony Anderson (impagáveis) e John Voight. Mesmo encarando este mar de experiência, o jovem ator é o que mais se destaca. É ele quem nos faz acreditar (além dos efeitos especiais, claro) que aqueles robôs realmente estão ali.
Ao longo do filme, podemos identificar diversos momentos com a marca de Bay. Quem já assistiu ao menos dois filmes do sujeito irá reconhecê-los. Mas não há exageros, e isso se deve, claro, a presença de Spielberg na produção. Foi o renomado diretor que vendeu a idéia de Transformers para Bay como um filme sobre um garoto e o seu primeiro carro. Durante as duas horas e vinte de projeção, você encontrará esta idéia na tela - fundida com ação frenética, humor impecável e uma trilha sonora constituída por diversos clássicos dos anos 80 (cortesia do ex-fusquinha e atual camaro Bumblebee). Até um pouco de breguice, também: tem coisa mais boba do que ouvir o som da transformação original do desenho animado e achar isso simplesmente o máximo?
Ah, dane-se. Estamos falando do blockbuster do ano aqui. Todo o entretenimento e nostalgia que ele trouxe vale a babação.

