Lá estava eu: dez metros próximo da placa que indicava aquela área como o ponto de ônibus. Lembrei que precisava recarregar o cartão de passe estudantil. Na verdade, eu já havia lembrado, pois foi por isso que sai um pouco mais cedo do apartamento dos meus avós no horário de almoço.

Fiquei na dúvida se demoraria a passar algum dos ônibus que apanho para o trabalho - e que, coincidentemente, passam no lugar onde eu recarrego o cartão de passes. Na dúvida, saquei o maço e o isqueiro da bolsa e lasquei um palhoso na boca.

Foi justo nesse momento que duas garotinhas apareceram na minha frente.

Uma devia ter 10 anos, 12 no máximo; a outra 8. A última estava com a farda escolar. Logo deduzi que a mais velha foi apanha-la ou levá-la para o colégio. Elas haviam passado por mim, mas acabaram voltando. A mais velha se postou na minha frente, se encostando na murada que eu também me apoiava. Estava com os olhos vidrados no cigarro de palha.

“Que cigarro é esse?”, perguntou sem cerimônia.

“De palha”, respondo, meio que sorrindo.

“E é? E vende desse? Como é?”, continuou, forçando a vista pra cima do fumo.

“Vende. É a palha do milho enrolada no fumo.”, expliquei, meio encabulado. Estava quase me sentindo um traficante.

“É melhor que os outros?”, a menina não parava, peloamordeDeus.

“Eu acho.”

“E não tem coisa que nem os outros?”, e eu traduzi ‘coisa’ como ‘zilhões de componentes químicos prejudiciais à saúde’.

“Hã, tem menos coisa que os outros.”, expliquei de modo que ela entendesse.

Ela então se mostrou na dúvida se um dos ônibus que estava vindo seria o que deveria pegar junto com a irmã menor. Fui no meio fio e apurei a vista. Era sim, segundo o destino que a mais velha me passou e no qual queriam chegar.

Quando confirmei, se despediram e correram pro ônibus. E depois fiquei me correndo por dentro: posso ter impressionado uma menininha de 10 anos que, daqui a pouco, pode se tornar uma fumante tão boa quanto eu. Por essas e outras, preciso me tocar onde me drogo. De verdade.

Eu sou um monstro.

(Tá, tem todo um quê irônico no texto, mas isso me deixou pensando.)

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‘Cabei de ler no Hector que hoje se celebra o Blog Day 2007, dia no qual blogueiros recomendam cinco blogs que descobriram recentemente e que caíram nas graças do seus interesses. Segue abaixo a minha lista (e que não são necessariamente de blogs que descobri agora):

1) The Yellow Stereo: Boas recomendações de Indie music, com resenhas sucintas e bem escritas, além de amostras de músicas (completas). Acesso diariamente para dar aos meus ouvidos as novidades musicais e off-mainstream que eles precisam.

2) Sequella: Carla Castellotti escreve sobre o que lhe der na telha, sempre com estilo e pose verbal para entreter e emocionar seus leitores.

3) Pirâmide Asteca: James Figueiredo postando seus desenhos na rede, sejam estudos anatômicos, ilustrações ou material de trabalho.

4) Site da Morróida: Não dá pra explicar, você precisa ler as tosquices que o Fabião posta pra entender - e morrer de rir no processo. Sério.

5) (carolices, espasmos e tolices): A Carol não é apenas prima de um dos meus grandes amigos de infância/colégio, é poetisa e prosadora das boas.

BlogDay2007

PS.: Este post me deu um certo Déjà vu.

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Tinha essa nuvem imensa e negra cruzando o céu sobre o quarteirão onde meus avós moram durante o horário de almoço. Voava a passos de tartaruga, por mais absurda que esta definição possa parecer, num dia que, até então, estava pra lá de ensolarado. Tomei umas agulhadas irrelevantes de chuva na minha caminhada do ponto de ônibus até o edifício deles (meus avós).

Costumo almoçar por lá durante a semana, já que fica melhor e mais prático do que ir para casa - e eu nem moro longe do trabalho, mas só tenho uma opção de ônibus para comer a comida da minha mãe. Em virtude dessa situação maior, faço a alegria dos meus avós com a minha companhia durante o horário de almoço, já que tudo quanto é ônibus eu posso pegar para chegar ao apartamento deles.

Não passava de meio dia e quinze quando eu levei as tais agulhadas.

Enchi a barriga com um prato considerável de feijão, arroz, macarrão, farinha e frango à milanesa. Amanhã, eu vou comer a mesma coisa, mas com uma carne assada no lugar do frango. Pois é, meu cardápio não é dos meus variados, e não estou disposto a dar mais trabalho a minha avó, que segue - junto com meu avô - um determinado tipo de alimentação. Dia desses, a Ana falou que se soubesse que eu era tão fresco para a comida, era capaz de ter abortado o nosso relacionamento, vejam só.

Sorte minha, então, de ter driblado a atenção dela no nosso primeiro fim de semana juntos - isso depois do nosso rolo em Salvador -, quando ela me preparou um almoço meio… estranho. Não lembro do nome do prato, mas acho que a cor do conteúdo era branca. O que um sujeito não faz pela mulher da sua vida, hein, mesmo quando ele ainda não sabia ao certo isso?

Bem, depois de me fartar com o almoço preparado pela minha segunda mãe, fui digeri-lo na frente do computador do meu segundo pai. Conferi e-mails, conversei no MSN e no GTalk e matei o tempo. Mas não se preocupem: foi uma morte indolor, garanto. Nesse meio tempo, começou a chover de verdade.

Voltei para o trabalho apenas quando as balas d’água voltaram a ser agulhas refrescantes. Catei o ônibus rápido, toquei para o prédio da empresa, guardei a bolsa no armário, tentei fumar o cigarro da tarde (não tô conseguindo passar da metade do maldito desde ontem, merda) e sentei na minha cadeira. Botei a mão no mouse e clareei a tela do micro.

Amanhã, tudo de novo. Ou não.

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“A tradição (Jack) Kirby é a de criar um novo quadrinho.”

Tô precisando voltar a escrever URGENTE.

Via Ellis.

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O Warren Ellis, por acertar chutes teleguiados nas cabeças dos leitores periodicamente…

Hahaha. Fernanda Chiella, senhoras e senhores, em entrevista ao HQManiacs. Se a moça já tinha minha admiração pelo que já vi do seu trabalho ultimamente, agora ela tem o meu respeito². E em outro momento da entrevista, inclusive, ela diz que toparia desenhar um roteiro do Ellis. Que role um dia, então.

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Ouvi umas músicas (das novas) aqui e acolá da M.I.A., mas o som da moça ainda não casou com os meus ouvidos. Meus olhos, no entanto, não têm do que reclamar da beleza caramelada da cantora:

Fonte: Culture Bully.

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Eu já traguei um mundaréu de fumaça de dois cigarrinhos de palha e estou caminhando para figurar entre as estatísticas dos 90% de fumantes que contraem câncer por causa desse vício maldito, nefasto e horrendo.

Pelo menos…

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Depois de o Sexto Sentido, o roteirista e diretor M. Night Shyamalan arregimentou um fervoroso grupo de fãs - e detratores, também. Não apenas pela qualidade de suas histórias e direção e direção de atores, mas pela surpresa que seus filmes costumavam reservar em seus finais.

O oba-oba em cima de suas produções são intensos, e tudo quanto é repórter quer dar o spoiler que pode revelar a surpresa ou o alicerce central do mistério que envolve suas criações. The Happening, a nova empreitada do diretor, não foge de enfrentar a mesma situação.

O filme conta a história de uma família da Filadélfia, liderada pelo personagem interpretado pelo ator Mark Wahlberg, que precisa sobreviver em meio a uma catástrofe ambiental.

Acontece que caiu na rede um spoiler - sempre ele - que pode estragar a surpresa do filme. Ler fica a cargo de cada um… mas eu não resisti e dei uma conferida. Depois de errar a mão em A Dama na Água, Shyamalan tem tudo para nos entregar uma nova pérola cinematográfica.

Leia ou aguarde até 2008.

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Lá se vão duas semaninhas sem o meu micro. Muita coisa deixou de ser executada por causa disso - claro, o computador aqui do trabalho me ajudou a não entrar em parafuso, mas estou com o cu na mão com medo de perder minha pasta e todo o seu conteúdo.

Aproveitei o fim de semana e o feriado municipal em Maceió, ontem, para ir ao cinema, assistir uns filmes em dvd e arrumar a minha coleção de gibis, livros e filmes. Sem contar nos dois sacos de lixo que entupi de papéis e material velho que estavam guardados há um bocado de tempo.

De resto, tudo tranqüilo. Pelo menos, por enquanto: checando os e-mails de hoje e considerando que fechei com o Pablo (Peixoto) nosso esquema de atualização da BIT, certos projetos vão acontecer todos duma vez. Incluindo aquela parada com o Hector que dei a dica semana passada.

Então, vou aproveitar enquanto ainda não pirei na batatinha, trabalhar, fumar uns cigarros e curtir a vida. E escrever para o blog, também, é claro.

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O Hector jogou a dica/pergunta no último Memorando. Como vocês podem perceber pela categoria deste post, tem a ver com quadrinhos.

Terça-feira vocês descobrem. Agora deixa eu ir fumar o último cigarro do dia que o expediente tá acabando.

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