Em abril, um grupo de quadrinistas independentes brasileiros decidiu realizar uma pesquisa sobre a relação do internauta brasileiro com os quadrinhos, principalmente os quadrinhos online. O resultado acaba de ser divulgado […] .
A iniciativa surgiu quando Leonardo Melo, Cadu Simões, Pablo Casado, Ricardo Leite, Leonardo Pascoal, Leonardo Santana, André Caliman, Felipe Cunha, Felipe Dias, Michelle Ramos, Otoniel Oliveira e Sérgio Chaves se reuniram a fim de discutir problemas e soluções para o mercado nacional de quadrinhos.
O relatório com os dados finais pode ser visto (em arquivo .pdf) disponibilizado no site da Quadrinhópole.
Fico grato aos colegas por terem incluído meu nome no relatório, já que fui um dos que encheu a paciência e comprou briga quanto a questão referente a publicação online e o seu consumo - faltou apenas o do Hector, que também martelou sobre o assunto.
Parabenizo também ambos os Leonardos, Santana e Melo, que conduziram o processo e apresentaram um documento que merece ser levado a sério. Num país em que o mercado de quadrinhos não possui uma produção nacional consistente, constante e profissional, além de editores capacitados a fomentá-lo, é a iniciativa de artistas independentes que faz a rodar girar. Ainda estamos longe de virarmos funcionários públicos através da Lei Rouanet, mas estamos buscando algo mais neste momento.
Quanto aos resultados, fico feliz em constatar que há um público interessado na leitura de publicações virtuais. Uma carência que não é suprida devidamente por nossos artistas: nos Estados Unidos, por exemplo, há um mercado vivo e atuante de autores que faturam em cima de suas publicações - que, pelo que pude constatar, são disponibilizadas gratuitamente em sua maioria.
Com a possibilidade do uso de plataformas como o Wordpress, resta aos artistas tupiniquins o interesse em conhecer e domar certas ferramentas. Através do Blogsome, versão gratuita e simplificada do Wordpress, é possível começar um webcomic - como o Hector fez com o Major.
Outras plataformas para blogs, como o Blogspot e o Movable Type, também não podem ser descartadas. O Cadu usa a última para a publicação das tiras do Homem-Grilo, por exemplo.
Voltando ao Wordpress, temos como opção o ComicPress, desenvolvido pelo norte-americano Tyler Martin e outros colaboradores. Distribuído gratuitamente, o theme (que é o modelo/visual de configuração de um blog) permite ao autor publicar suas páginas de quadrinhos - organizadas automaticamente pelo sistema - e, ainda por cima, atualizar o site com posts diários separadamente na página principal.
Se o autor possui conhecimentos básicos de html e php, é possível modificar o visual do ComicPress sem grandes dificuldades. Junto aos arquivos do theme, Martin incluiu um tutorial capaz de esclarecer dúvidas quanto a configuração do mesmo.
É o ComicPress que o escritor britânico Warren Ellis usará em sua primeira série online: FreakAngels.
Infelizmente, não há uma versão do theme convertida para o Blogsome - que é uma versão mais simples do Wordpress por usar menos arquivos. Para rodá-lo, seria necessário hospedá-lo num servidor com suporte para a extensão php.
Se o autor não quiser bancar um serviço de hospedagem, uma busca no Google pode revelar serviços gratuitos com o devido suporte php.
Em relação as conclusões do relatório, vale ressaltar que o Google AdSense, definido como não “tão em voga no Brasil atualmente” em determinado trecho, não é necessariamente factual. Blogueiros como Carlos Cardoso faturam um bom ‘trocado’ com os anúncios veículos através do serviço em seus diversos sites - assim como outros dispositivos de monetização.
Lembrando que um autor de webcomic não fatura apenas em cima desses tipos de comissão: a venda de camisas, posters e outros itens colecionáveis também gera renda. É citado no relatório apenas a doação por parte dos leitores - algo que fez com que a quadrinista Danielle Corsetto abandonasse seu emprego convencional e pudesse se dedicar a publicação diária de sua tira, Girls with Slingshots, para citarmos um exemplo concreto.
No Brasil, o único artista que parece ser capaz de tirar alguma renda da Internet com quadrinhos é André Dahmer, dos Malvados.
Fonte: HQManiacs.

