A Isadora Garrido, ou simplesmente Dora, do Crônicas Atípicas, está fazendo um favorzão para os leitores de webcomics brasileiros: ela, juntamente com o Pedro, está traduzindo e publicando em português tiras da série The Perry Bible Fellowship.

O trabalho é voluntário e, como é possível perceber no blog da empreitada, não possui fins lucrativos. Vale a pena dar uma conferida nas tirinhas geniais de Nicholas Gurewitch assinadas em nosso idioma. Caso queira beber da fonte, basta acessar o site oficial da publicação virtual.

Update: Como a própria Dora esclareceu nos comentários, o criador da série, Nicholas Gurewitch, autorizou a tradução para o português (ou espanhol, pelo que talvez ele ache que seja a nossa língua pátria, haha).

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Na manhã de hoje, uma ocorrência extremamente desagradável aconteceu após o café-da-manhã. Eu estava no apartamento da Ana, onde, depois da nossa refeição matinal, terminávamos de nos aprontar para trabalhar. Então ela me chama para ir a janela da sala: “Amor, o tarado tá aqui.”

O tal tarado é um cretino montado numa bicicleta vermelha, moreno, de bigode e cabelo curto, que na manhã de hoje trajava um short e uma camisa regata. Ana viu o sujeito algum tempo atrás, em outra parte do bairro da Jatiúca, próximo do conjunto de classe média Stella Maris, onde reside. Ele fica em pontos específicos do bairro, sempre pela parte da manhã (quando as pessoas estão indo para o trabalho ou para a escola), mostrando o pinto para as mulheres e meninas que passam próximas a ele.

Quando ela me chamou para olhar a cara do sujeito, ele estava sentado num banco do Corredor Cultural Vera Arruda, parte mais “chique” do Stella Maris, próximo do passeio que dá para a rua do colégio Contato. Já passavam das 7 e o movimento era intenso: pessoas indo trabalhar, gente praticando cooper e adolescentes chegando tanto ao Contato como ao Anchieta, a outra escola particular neste trecho específico.

Ficamos observando o filho da puta (há melhor termo que ‘filho da puta’ num caso desses?). De repente, uma menina de no máximo 15 anos, aluna do Contato, seguia para o colégio tranqüilamente. Ela estava no campo de visão do calhorda. Quando a garota estava a uns cinco metros, ele puxou uma parte do short e colocou o pinto pra fora.

Neste momento eu levantei o braço, pronto para gritar ‘Pega tarado!’. A Ana acabou me segurando - claro, mancada minha gritar da janela da casa da minha namorada. Mas a gesticulação serviu: o tarado, com a maior cara lisa, se arrumou, montou na bicicleta e entrou na rua oposta a do colégio Contato. E ainda acenou pra mim.

Ana ligou para o PM Box do bairro - que é mantido, se não me engano, pela associação dos moradores do Stella Maris. O oficial que atendeu afirmou que tinha conhecimento das atividades do canalha, mas não havia, ainda, conseguido capturá-lo em flagrante.

Nervoso, assim que cheguei ao trabalho, liguei para o Contato. A recepcionista que me atendeu, um exemplo de frieza, ouviu toda a minha história e disse que não sabia de nenhuma reclamação de alunas da instituição sobre o assunto. E ficou de passar a denúncia para a direção - porque o colégio precisa zelar pela segurança de seus discentes nas imediações do mesmo, não é verdade? Mas do jeito que fui atendido, duvido muito que o caso tenha sido levado até a direção.

Não satisfeito, mandei um e-mail e liguei logo em seguida para a redação do Alagoas 24 Horas, para saber se a minha mensagem havia caído na caixa de entrada deles. A repórter que me atendeu disse que não, então aproveitei e contei tudo. Detalhe por detalhe. Ela disse que apuraria a história junto ao pessoal do PM Box e colocaria uma nota no ar.

E a nota foi ao ar.

Ou seja: o “morador” que fez a denúncia fui eu. E precisou alguém que nem é do bairro fazê-lo, já que, segundo o Sargento da PM, o tarado está aprontando das suas há alguns dias.

Não sei se ele dará um tempo a partir da próxima segunda, considerando que alguém o pegou no flagra, para depois retornar as suas atividades. Mas uma coisa eu garanto: ele dando as caras na região, eu sou o primeiro da fila a meter a mão nas fuças desse filho da puta. Ah, pode apostar que sim.

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Quarto Mundo, selo independente (do qual faço parte) que tem trabalhado na moita no intuito de reunir diversos artistas de quadrinhos espalhados pelo Brasil para fortalecer a referida cena artística, foi contemplado com dois posts no ótimo Blog dos Quadrinhos, do jornalista Paulo Ramos.

No primeiro, o Paulo dá uma geral da proposta. No segundo, o Cadú (Homem-Grilo) usa toda a sua habilidade didática para explicar direitinho do que se trata.

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Rodolfo S. Filho leu Crooked Little Vein, primeiro romance do escritor Warren Ellis, e constatou algo que eu já esperava: se você está familiarizado com o modus operandi das histórias do velho bastardo britânico nos quadrinhos, com certeza não vai encontrar nada de novo no livro, mas com certeza vai se divertir. Será que nenhuma editora de quadrinhos como a Conrad ou a Devir não vai se interessar em jogar o material nas livrarias preu tirar a prova?

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Não consigo escrever nada. Não consigo pensar em nada. Só consigo ficar ocioso depois de oito horas de trabalho preenchidas quase que em sua totalidade com muito trabalho. A pilha de coisas só vai aumentando. E só tenho três maços do meu cigarrinho de palha especial guardados no meio dos meus gibis. A única coisa que eu queria agora é que os mosquitos parassem de mastigar os meus pés, puta merda.

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Cansado das tragédias causadas por desastres naturais nos EUA, um senador americano decidiu levar a juízo o verdadeiro culpado por tudo isso: Deus.

Além das acusações relacionadas aos desastres “naturais”, Deus foi acusado de ameaças terroristas contra a vida do político Ernie Chambers, o senador responsável pela ação.

Especialistas afirmam que Deus está preparando um recurso e não deverá aparecer para prestar esclarecimentos relacionados as acusações. Pelo visto, o Senhor contratou o escritório de Danny Crane para defendê-lo.

Via Danilo.

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Sem o mínimo de tempo e cabeça para escrever esses dias. A “culpa” é do trabalho, claro. Mas o volume de coisas só me faz melhorar no que faço, além de me abrir um leque de oportunidades dentro da instituição na qual me encontro.

O que também não significa que o blog ficará de lado por muito tempo ou que minhas outras atividades serão deixadas para trás. Estou esperando a brecha necessária para cair de cabeça no roteiro da quinta edição da minha série Bit Hunter Girl, principalmente agora que o Pablo já desenhou a quarta e está trabalhando nas retículas. O site, por sua vez, está quase lá. Que o diga o meu camarada Júnior Gama, que tá ajudando dum jeito incrível.

As coisas com quadrinhos não param por aí: Felipe e eu continuamos confabulando duas produções - uma para este ano e a outra pro começo de 2008. Como ambas estão próximas de saírem, como esperamos que ocorra, novidades serão divulgadas em breve. ‘Güenta aí.

E esse fim de semana deve rolar show do Wado para lavar a alma; onde é capaz de rolar um crossover entre alguns blogueiros da terrinha. A Carla desafiou, e quer saber se blogueiro toma umas ou se só fica sentado na frente do micro. O Ramiro e a Carol devem completar o grupo e acabar com essa coisa da gente só se esbarrar nas salas de cinema da vida e não ter tempo de trocar umas idéias.

Precisava postar para descarregar o estresse. Sério. Até porque já estou me vendo semana que vem trazendo trabalho para casa. E ainda dizem que estagiário não faz nada, né?

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Nem os cigarros de palha estão adiantando. Muito trabalho aqui no trabalho - e que a redundância vá à merda. Meu cérebro está escorrendo pelas orelhas e chegar em casa é a única coisa que minhas forças me permitem fazer. Enquanto isso, a Ana está encarcerada até as nove da noite num treinamento do trabalho com um xamã da Chapada Diamantina. Pena que ele não deve dar nada para o pessoal viajar - senão eu pediria para ela traficar um barato pra mim. Estou com uma pilha de coisas para fazer, não sei por onde começar e não tenho a mínima vontade de criar mais um parágrafo para este texto. Eu estou com tanta preguiça mental que precisaria dormir 48 horas seguidas para me fazer um sujeito novo em folha. Como isso não é possível, irei recorrer a meio (i)lícitos para tanto. Não sei quais, mas procurarei.

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Assisti num telejornal local uma breve matéria sobre ações preventivas realizadas pela Polícia Militar nos últimos dias. A direção da corporação elaborou um esquema de revista em três pontos distintos da capital Maceió, onde motoristas comuns, taxistas e lotações foram parados, digamos, “aleatoriamente” para inspeções. Além de servir para “evitar” possíveis atos criminosos de cidadãos mal-intencionados, as batidas marcaram o batismo dos calouros recém-chegados a instituição.

A iniciativa da PM mostra a situação na qual se encontra a segurança no estado de Alagoas. Tudo bem, quem é da terrinha e não é alienado, sabe muito bem que o bang bang é algo mais do que comum no nosso cotidiano - e que ele tem crescido de modo assustador nos anos recentes. O que não significa que devamos continuar acostumados a ela e, acima de tudo, desistir dos nossos direitos em prol de determinados atos preventivos.

Claro, dada a situação atual, todo mundo acha mais do que normal e justificável iniciativas do tipo acontecerem. Sinceramente, se fui uma delas, acho que não sou mais. E tenho lá meus motivos.

No último sábado fiz algo que alguns definiram como radicalismo, presepada e termos congêneres: trancei o meu cabelo. Fiz aquele penteado afro - e que dói pra cacete, a propósito - no qual se amarram os fios com elástico do começo da sua testa até o fim da nuca. Não tive um motivo específico para isso e nenhum estímulo de alguém pop. Revolta muito mesmo (a definição seria masoquismo, oras!). Deu um estalo na cabeça e a vontade de mudar o visual veio. Simples. Fui ao salão afro com a Ana e encarei três horas na mão da cabelereira, que pegou leve comigo, apesar de todo o sofrimento.

Qual o grande problema dessa mudança e o que tem a ver com o assunto levantado lá no início?

Primeiramente, eu não sou negro. Se fosse, seria bem capaz das pessoas assimilariam o visual com maior tranqüilidade - só eu pensei na formulação cretina de “isso é coisa de negro”? Pois é, ridículo, mas acho que isso serviria como amenizador. Segundo: Maceió é a capital da província das Alagoas. Imagino que num estado como a Bahia - principalmente Salvador -, um pardo, branco ou amarelo poderia passar teoricamente batido com um penteado desses. Você consegue imaginar um lugar onde se valorize mais a cultura negra do que lá? Nem eu. Mas que diabos: moro na terra de Zumbi dos Palmares! Ele deveria representar o negro com mais força do que toda a Bahia.

Utopia, vamos lá. O alagoano deve ser o mais sem memória dos brasileiros. Não todos. Mas a maioria. Quem vai lembrar dum negro que levou a vida roubando dos brancos e fumava unzinho com a rapaziada para celebrar?

Agora visualiza um pardo andando com o cabelo trançado numa cidade retrógrada: você terá as definições que elenquei no quarto parágrafo. Encarei algumas delas por aí - afinal, as pessoas temem aquilo que desconhecem, como diria o Professor Xavier num de seus momentos inspirados. Mas encontrei apoio, também, o que serviu para estreitar certos laços. A Ana ficou com receio disso e outras coisas, assim como meus pais.

Só que aí aconteceu algo que deixou meu pai mais aflito.

Ele havia ido me buscar no trabalho. Antes de voltarmos para casa, fomos até a padaria. No caminho, cruzamos com um grupo de policiais militares parados numa rua em declive que dá para uma das favelas que circundam o bairro onde moramos. Estranhamos a presença deles ali, afinal, quando mais se precisa da segurança pública, acabamos ficando na mão. Ao chegarmos na padaria, meu pai desceu para comprar pão. Fiquei aguardando no carro.

Naquele meio tempo, surgiu o carro dos mesmos policiais militares que estavam há quadras dali. Brecaram de repente. Do automóvel, um deles já deu uma chamada com o rigor tipicamente agressivo das autoridades constituídas num rapaz negro, vestido de boné, camisa florida, bermuda e havainas, que estava encostado no poste defronte a padaria, quase do lado ao carro onde eu estava. Quando desceu, o tal policial, um careca corpulento, sacou a pistola e mandou o sujeito colocar as mãos na cabeça e ficar de cara pro poste. Outro militar ficou responsável pela revista.

A poucos metros da situação - e que havia atraído a atenção de todo mundo na padaria, na banca de jornais e na locadora do lugar -, pude ouvir tudo o que o policial careca falava pro rapaz negro. Perguntou o que ele fazia ali. “Tô esperando um colega meu sair”, foi a resposta que eu entendi. O oficial, claro, não se convenceu. Disse para o rapaz negro que não tinha amigo algum ali e que ele devia circular. Depois que a revista acabou e NADA foi encontrado com ele, o militar careca repetiu a ordem pro sujeito sair dali.

“Tá vendo, fulano. Dizendo que tá esperando o amigo. Não tem amigo nenhum. Ele espera o movimento cair pra depois roubar”, declarou o grandalhão. Não sei se mais alguém ouviu, mas nem precisava. A pirotecnia havia surtido efeito: todo os “cidadãos de bem” ali presentes ficaram vidrados com a ação policial. Eles com certeza se sentiram mais seguros depois de verem aquilo. Meu pai disse que os comentários na padaria aprovaram a intervenção, o que corrobora a minha constatação.

Claro: pegar o primeiro negro pobre que aparecer pela frente e revistá-lo na frente de um bando de brancos de classe média mostra que estamos realmente seguros. Parabéns, polícia militar!

E vocês linkaram os fatos? A ação policial que vi foi a mesma que noticiaram na TV no dia seguinte. Tanto que na matéria o meu bairro foi um dos três escolhidos pela cúpula da polícia. Bairro que, meses atrás, teve sua principal rua interditada por um protesto dos moradores, cansados da violência constante e da desasistência da segurança pública. Coincidência?

Onde o meu cabelo com trançado afro entra no assunto?


Nessa onda de ações preventivas acontecendo na capital alagoana, você não acha que um pardo de cabelo trançado e fumante de cigarro de palha não possa ser parado na rua a qualquer instante, sendo confundido com um maconheiro qualquer? Nada contra os maconheiros, mas a polícia adora a referida classe, não é? Imagina o que é passar pelo mesmo constrangimento que o negro que estava na frente da padaria outro dia? E que, a propósito, voltou lá (com a polícia ainda presente) depois que o mandaram passear, provavelmente para provar que tinha um amigo seu ali. Não vimos o desfecho da situação, mas só a atitude do cara em voltar conta alguma coisa, certo?

Eu acho que vou fumar meu cigarro de palha com a galera do beque que fica no Corredor Cultural Vera Arruda, no Stella Maris, área classe média alta de Maceió. Lá tem um coreto no qual os filhos adolescentes dessa mesma classe média alta fuma unzinho a qualquer hora do dia sem ser incomodada. Na verdade, a coisa tá evoluindo. Meu cunhado - e eu, posteriormente - viu que o crack está chegando por ali. Claro, o uso ainda não é público. Mas como instituições como a polícia militar decidiram que os pontos críticos são mesmo os lugares onde os pretos e pobres moram, não duvido ver uns cachimbos qualquer dia desses.

A situação não é tão preto no branco, eu sei. Mas cansa a estupidez da classe média, que poderia fazer a diferença, ao engolir os fogos de artifícios que lançam na cara dela. É de dar dó como a evolução pára no tempo em algumas partes deste globo.

P.S.: Originalmente, a história sobre o meu cabelo trançado e a repercussão que ele gerou seria comentada num outro texto; um mais divertido, inclusive, a se chamar “É por isso que os X-Men são legais”. Acabou que eu presenciei a ação policial na padaria próxima de casa e juntei tudo numa coisa só, já que a conversa que tive com meu pai antes do ocorrido foi justamente sobre pré-conceito policial. Traduzindo: não, não estou me fazendo de coitadinho nem de perseguido. Apenas aproveitei a oportunidade e aliviei o meu lado cortando um texto. =)

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Sexta-feira é dia de filme novo em cartaz. Lá fui eu conferir a programação nas parcas salas da capital alagoana na Agenda Cultural do portal GazetaWeb, e saber se havia algo do meu interesse a ser exibido… quando me deparo com algo muito estranho: o filme da Sessão de Arte, que ocorre no Cine Iguatemi às sextas a noite e aos sábados pela manhã, e que é organizada pelo crítico Elinaldo Barros:

Tudo bem. Não concordo 100% com o gosto do Elinaldo para filmes, o que é completamente natural: mas filmeco velho do Van Damme na Sessão de Arte?! Tinha algo muito errado nisso.

Conferindo a programação através do Alagoas 24 Horas, descobri que o filme a ser exibido se chamava mesmo Infernosó não era o do Van Damme:

O que aconteceu? Bem, imagino que algum chefe preguiçoso mandou o(a) estagiário(a) - de Jornalismo ou de Ciências da Computação; vai saber quem cuida do que nos grandes portais - responsável pela Agenda Cultural da GazetaWeb atualizar a página, passando para ele a lista dos filmes novos. O(A) estagiário(a) deve ter consultado Deus, e acabou optando pelo segundo link encontrado. Na cabeça dele, se encaixou melhor com o perfil de algo chamado Sessão de Arte.

Estagiários. Ruim com eles

PS.: Nada contra os colegas de classe - sim, também sou um de vocês. Mas eu não podia perder a piada, né? No mais, a burrada feita independe do grau de contratação da anta que a executou.

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