Na manhã de hoje, uma ocorrência extremamente desagradável aconteceu após o café-da-manhã. Eu estava no apartamento da Ana, onde, depois da nossa refeição matinal, terminávamos de nos aprontar para trabalhar. Então ela me chama para ir a janela da sala: “Amor, o tarado tá aqui.”

O tal tarado é um cretino montado numa bicicleta vermelha, moreno, de bigode e cabelo curto, que na manhã de hoje trajava um short e uma camisa regata. Ana viu o sujeito algum tempo atrás, em outra parte do bairro da Jatiúca, próximo do conjunto de classe média Stella Maris, onde reside. Ele fica em pontos específicos do bairro, sempre pela parte da manhã (quando as pessoas estão indo para o trabalho ou para a escola), mostrando o pinto para as mulheres e meninas que passam próximas a ele.

Quando ela me chamou para olhar a cara do sujeito, ele estava sentado num banco do Corredor Cultural Vera Arruda, parte mais “chique” do Stella Maris, próximo do passeio que dá para a rua do colégio Contato. Já passavam das 7 e o movimento era intenso: pessoas indo trabalhar, gente praticando cooper e adolescentes chegando tanto ao Contato como ao Anchieta, a outra escola particular neste trecho específico.

Ficamos observando o filho da puta (há melhor termo que ‘filho da puta’ num caso desses?). De repente, uma menina de no máximo 15 anos, aluna do Contato, seguia para o colégio tranqüilamente. Ela estava no campo de visão do calhorda. Quando a garota estava a uns cinco metros, ele puxou uma parte do short e colocou o pinto pra fora.

Neste momento eu levantei o braço, pronto para gritar ‘Pega tarado!’. A Ana acabou me segurando - claro, mancada minha gritar da janela da casa da minha namorada. Mas a gesticulação serviu: o tarado, com a maior cara lisa, se arrumou, montou na bicicleta e entrou na rua oposta a do colégio Contato. E ainda acenou pra mim.

Ana ligou para o PM Box do bairro - que é mantido, se não me engano, pela associação dos moradores do Stella Maris. O oficial que atendeu afirmou que tinha conhecimento das atividades do canalha, mas não havia, ainda, conseguido capturá-lo em flagrante.

Nervoso, assim que cheguei ao trabalho, liguei para o Contato. A recepcionista que me atendeu, um exemplo de frieza, ouviu toda a minha história e disse que não sabia de nenhuma reclamação de alunas da instituição sobre o assunto. E ficou de passar a denúncia para a direção - porque o colégio precisa zelar pela segurança de seus discentes nas imediações do mesmo, não é verdade? Mas do jeito que fui atendido, duvido muito que o caso tenha sido levado até a direção.

Não satisfeito, mandei um e-mail e liguei logo em seguida para a redação do Alagoas 24 Horas, para saber se a minha mensagem havia caído na caixa de entrada deles. A repórter que me atendeu disse que não, então aproveitei e contei tudo. Detalhe por detalhe. Ela disse que apuraria a história junto ao pessoal do PM Box e colocaria uma nota no ar.

E a nota foi ao ar.

Ou seja: o “morador” que fez a denúncia fui eu. E precisou alguém que nem é do bairro fazê-lo, já que, segundo o Sargento da PM, o tarado está aprontando das suas há alguns dias.

Não sei se ele dará um tempo a partir da próxima segunda, considerando que alguém o pegou no flagra, para depois retornar as suas atividades. Mas uma coisa eu garanto: ele dando as caras na região, eu sou o primeiro da fila a meter a mão nas fuças desse filho da puta. Ah, pode apostar que sim.