Joguei água no rosto e enxaguei de forma cadenciada. Ritual costumeiro meu ao voltar para o trabalho do almoço: deixo a bolsa no armário da sala, vou para a escada, fumo o segundo cigarro do dia, volto até a sala e a bolsa, saco a escova e pasta de dentes, vou para o banheiro e faço a minha higiene pessoal. Isso inclui alguns minutos sentados à privado, vez por outra.
Foi na hora de aliviar o calor e a oleosidade das fuças que algo na minha barba me chamou a atenção. Me aproximei do espelho horizontal do banheiro e fiquei coçando o bigode. Contei três, três malditos fios brancos num mar de negritude facial. Mal completei 24 anos e os parcos cabelos brancos que se escondem na minha cabeça já ganharam primos na minha barba.
Se ao menos isso fosse lá algum sinal de maturidade…

