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	<title></title>
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	<description>Adeus, segunda-feira blues</description>
	<pubDate>Thu, 10 Jan 2008 11:51:52 +0000</pubDate>
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		<title>A Lenda de Beowulf</title>
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		<pubDate>Tue, 11 Dec 2007 22:23:12 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Pablo Casado</dc:creator>
		
	<category>Cinema</category>
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		<description><![CDATA[	 Citar Neil Gaiman numa conversa sem associá-lo a Sandman é mais que improvável. Mesmo que ele tenha escrito romances que caíram no gosto da crítica e do público — Deuses Americanos, Filhos de Anansi e Stardust; este último adaptado para o cinema em 2007 —, a obra em quadrinhos de cerca de 60 edições [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[	<p><img src='/images/beowulf.jpg' alt='' align="right" hspace="5" /> Citar <a href="http://www.neilgaiman.com/">Neil Gaiman</a> numa conversa sem associá-lo a <strong><a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Sandman_(Morfeus)">Sandman</a></strong> é mais que improvável. Mesmo que ele tenha escrito romances que caíram no gosto da crítica e do público — <strong><a href="http://www.conradeditora.com.br/index.php?option=com_content&#038;task=view&#038;id=130">Deuses Americanos</a></strong>, <strong><a href="http://www.omelete.com.br/game/100003200/Os_filhos_de_Anansi__de_Neil_Gaiman.aspx">Filhos de Anansi</a></strong> e <strong><a href="http://en.wikipedia.org/wiki/Stardust_(novel)">Stardust</a></strong>; este último adaptado para o cinema em 2007 —, a obra em quadrinhos de cerca de 60 edições é o referencial mor para qualquer um que conheça o mínimo sobre sua produção.</p>
	<p>Isso não quer dizer que sua literatura seja menor ou deva ser desconsiderada perante <strong>Sandman</strong>. Seria um erro grosseiro. Gaiman, de certo modo, sempre foi um prosador. Sua passagem pelas histórias em quadrinhos foi uma benção para o meio e uma prova incontestável do potencial do mesmo para seus detratores. Mas o que está em questão aqui não é a invasão britânica nos quadrinhos norte-americanos por Neil, <a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Alan_Moore">Alan</a>, <a href="http://www.grant-morrison.com">Grant</a> e <a href="http://en.wikipedia.org/wiki/British_Invasion_(comics)">outros na década de 1980</a>. E sim o retorno, digamos, do roteirista que mostrou a América como um punhado de areia daria vida a um pesadelo.</p>
	<p>Ao lado de Roger Avary, parceiro de Quentin Tarantino em <strong>Pulp Fiction</strong>, Gaiman soube aliar suas qualidades como prosador as de roteirista em <strong>A Lenda de Beowulf</strong>, animação dirigida por Robert Zemeckis. </p>
	<p>Com o fim de <strong>Sandman</strong> e sua partida para o mundo dos livros, as eventuais passagens do escritor pelo universo da Nona Arte não foram das mais notáveis. <strong><a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/1602_%28banda_desenhada%29">1062</a></strong> e <strong><a href="http://www.universohq.com/quadrinhos/2007/n06092007_07.cfm">Eternos</a></strong>, mini-séries que escreveu para a <strong><a href="http://marvelcomics.com">Marvel Comics</a></strong>, foram tiros no escuro com raros lampejos das belas caracterizações e diálogos soberbos, ambos marcas registradas do autor de <strong><a href="http://en.wikipedia.org/wiki/Black_Orchid">Orquídea Negra</a></strong>. Compará-los a obras literárias do calibre de <strong><a href="http://en.wikipedia.org/wiki/Coraline">Coraline</a></strong> e <strong>Stardust</strong>, por exemplo, são de um disparate sem tamanho.</p>
	<p><strong>A Lenda de Beowulf</strong>, adaptação do <a href="http://en.wikipedia.org/wiki/Beowulf">poema anglo-saxão</a> de autoria desconhecida do século 8, exigiria de Gaiman o timing narrativo dos seus tempos de bom roteirista de quadrinhos. Ou não: quem sabe a presença de Roger Avary foi o elemento-chave para o que se vê na tela — o casamento perfeito entre ação e uma história afiada, pontuada com diálogos ora bem-humorados, ora maduros.</p>
	<p>A trama é enxuta: Beowulf, famoso herói e aventureiro, vai as terras gélidas de Heorot defender o Rei Hrotgar e seus súditos do cruel monstro Grendel. A tarefa se mostra complexa quando surge na equação a mãe de Grendel, interpretada através da captação de movimento pela bocuda preferida de todos Angelina Jolie.</p>
	<p>A animação em si é estranha nos primeiros minutos. Para quem já assistiu o longa animado <strong><a href="http://www.square-enix-usa.com/dvd/ff7ac/">Final Fantasy VII</a></strong>, sabe que o resultado obtido pelo diretor Zemeckis ainda é capaz de ir mais longe, seja pela questão dos movimentos dos personagens em cena ou pela rigidez de certas expressões faciais. Mas estes minutos passam e a ótima trama que está se formando é capaz de segurar a atenção da audiência.</p>
	<p>O roteiro produzido a quatro mãos, no início da película animada, possui certo ar simplista, beirando a uma inocente história de capa e espada. Longe disso. Com a progressão dos acontecimentos, Beowulf e outros personagens são lançados em questionamentos morais intricados, que ecoam até a última cena do filme. Há diálogos cômicos e sérios, mas nenhum meio-termo piegas, que se fique registrado. A ação é sanguinolenta e heróica, disfarçada justamente pelo elemento “animação” da produção. Objetos são jogados diante da tela ou a câmera dá rodopios nervosos para ocultar a brutalidade dos confrontos.</p>
	<p><strong>A Lenda de Beowulf</strong> não é um clássico instantâneo. Mas sim, uma grande obra de fantasia medieval, sem os excessos e certos clichês do gênero. Algo que me fará lembrar do Neil Gaiman roteirista inspirado de quadrinhos. E de Roger Avary, o fiel escudeiro.
</p>
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