Preciso tomar vergonha na cara e tirar a poeira dos livros na minha estante que necessitam ser lidos. Sejam os que foram interrompidos pela metade ou os que foram cuidadosamente guardados e estão na fila de espera. Alguma coisa me diz que devo lê-los logo.
Joguei água no rosto e enxaguei de forma cadenciada. Ritual costumeiro meu ao voltar para o trabalho do almoço: deixo a bolsa no armário da sala, vou para a escada, fumo o segundo cigarro do dia, volto até a sala e a bolsa, saco a escova e pasta de dentes, vou para o banheiro e faço a minha higiene pessoal. Isso inclui alguns minutos sentados à privado, vez por outra.
Foi na hora de aliviar o calor e a oleosidade das fuças que algo na minha barba me chamou a atenção. Me aproximei do espelho horizontal do banheiro e fiquei coçando o bigode. Contei três, três malditos fios brancos num mar de negritude facial. Mal completei 24 anos e os parcos cabelos brancos que se escondem na minha cabeça já ganharam primos na minha barba.
Se ao menos isso fosse lá algum sinal de maturidade…
Tudo bem, eu sou nerd.
Não, não naquele estereótipo “clássico” e que já caiu por terra há alguns anos, do gordinho de óculos de aros grossos e camisa branca que deixa parte da barriga quebrada a mostra.
E, mesmo sendo um (neo-)nerd, digamos assim, sei muito bem agir moderadamente diante de ofertas e oportunidades de compras de itens colecionáveis que sejam do meu interesse (pelo menos, na maioria do tempo).
Mas aí vem a Ana e me liga, num tom de voz envergonhadamente bem humorado dizendo que fez uma “besteira”; besteira que, na maioria da vezes, significam gastos estratosféricos que deveriam ser realizados em oportunidades adequadas.
O que não significa nada para essa mulher: bastou ela ver que a Americanas está com frete grátis, que catou os boxs com a primeira temporada do Office e a segunda de Uma Família da Pesada, além dum dvd da Marisa Monte e quem sabe mais o quê.
Claro: vamos tirar um fim de semana para assistirmos aos boxs de ambas as séries, rindo até chorar no processo, mas eu tenho que puxar a orelha dela. Porque é isso que ela faz quando eu apronto das minhas.
Minha namorada é uma pseudo-nerd enrustida e eu não sabia (?). Isso dá nome prum ótimo livro, né não?
Eu só queria poder fumar meu cigarro tranqüilamente, sem ter que ficar olhando os minutos passarem na tela do celular e voltar logo pro meu posto, pra pilha de trabalho que tenho carregado ultimamente.
Eu só queria poder fumar meu cigarro tranqüilamente, sem ter que apertar o passo para chegar no ponto de ônibus e pegar o primeiro que passar pra chegar em casa.
Eu só queria ter uma noite de sono decente, para poder fumar o meu primeiro cigarro do dia tranqüilamente. E quem sabe não escrever um post tão cretino quanto este, que é de uma falta de criatividade e auto-piedade tremendas.
Vou pra cama me arrepender um pouco e, quem sabe nesse processo, dormir de verdade.
Na manhã de hoje, uma ocorrência extremamente desagradável aconteceu após o café-da-manhã. Eu estava no apartamento da Ana, onde, depois da nossa refeição matinal, terminávamos de nos aprontar para trabalhar. Então ela me chama para ir a janela da sala: “Amor, o tarado tá aqui.”
O tal tarado é um cretino montado numa bicicleta vermelha, moreno, de bigode e cabelo curto, que na manhã de hoje trajava um short e uma camisa regata. Ana viu o sujeito algum tempo atrás, em outra parte do bairro da Jatiúca, próximo do conjunto de classe média Stella Maris, onde reside. Ele fica em pontos específicos do bairro, sempre pela parte da manhã (quando as pessoas estão indo para o trabalho ou para a escola), mostrando o pinto para as mulheres e meninas que passam próximas a ele.
Quando ela me chamou para olhar a cara do sujeito, ele estava sentado num banco do Corredor Cultural Vera Arruda, parte mais “chique” do Stella Maris, próximo do passeio que dá para a rua do colégio Contato. Já passavam das 7 e o movimento era intenso: pessoas indo trabalhar, gente praticando cooper e adolescentes chegando tanto ao Contato como ao Anchieta, a outra escola particular neste trecho específico.
Ficamos observando o filho da puta (há melhor termo que ‘filho da puta’ num caso desses?). De repente, uma menina de no máximo 15 anos, aluna do Contato, seguia para o colégio tranqüilamente. Ela estava no campo de visão do calhorda. Quando a garota estava a uns cinco metros, ele puxou uma parte do short e colocou o pinto pra fora.
Neste momento eu levantei o braço, pronto para gritar ‘Pega tarado!’. A Ana acabou me segurando - claro, mancada minha gritar da janela da casa da minha namorada. Mas a gesticulação serviu: o tarado, com a maior cara lisa, se arrumou, montou na bicicleta e entrou na rua oposta a do colégio Contato. E ainda acenou pra mim.
Ana ligou para o PM Box do bairro - que é mantido, se não me engano, pela associação dos moradores do Stella Maris. O oficial que atendeu afirmou que tinha conhecimento das atividades do canalha, mas não havia, ainda, conseguido capturá-lo em flagrante.
Nervoso, assim que cheguei ao trabalho, liguei para o Contato. A recepcionista que me atendeu, um exemplo de frieza, ouviu toda a minha história e disse que não sabia de nenhuma reclamação de alunas da instituição sobre o assunto. E ficou de passar a denúncia para a direção - porque o colégio precisa zelar pela segurança de seus discentes nas imediações do mesmo, não é verdade? Mas do jeito que fui atendido, duvido muito que o caso tenha sido levado até a direção.
Não satisfeito, mandei um e-mail e liguei logo em seguida para a redação do Alagoas 24 Horas, para saber se a minha mensagem havia caído na caixa de entrada deles. A repórter que me atendeu disse que não, então aproveitei e contei tudo. Detalhe por detalhe. Ela disse que apuraria a história junto ao pessoal do PM Box e colocaria uma nota no ar.
Ou seja: o “morador” que fez a denúncia fui eu. E precisou alguém que nem é do bairro fazê-lo, já que, segundo o Sargento da PM, o tarado está aprontando das suas há alguns dias.
Não sei se ele dará um tempo a partir da próxima segunda, considerando que alguém o pegou no flagra, para depois retornar as suas atividades. Mas uma coisa eu garanto: ele dando as caras na região, eu sou o primeiro da fila a meter a mão nas fuças desse filho da puta. Ah, pode apostar que sim.
Não consigo escrever nada. Não consigo pensar em nada. Só consigo ficar ocioso depois de oito horas de trabalho preenchidas quase que em sua totalidade com muito trabalho. A pilha de coisas só vai aumentando. E só tenho três maços do meu cigarrinho de palha especial guardados no meio dos meus gibis. A única coisa que eu queria agora é que os mosquitos parassem de mastigar os meus pés, puta merda.
Nem os cigarros de palha estão adiantando. Muito trabalho aqui no trabalho - e que a redundância vá à merda. Meu cérebro está escorrendo pelas orelhas e chegar em casa é a única coisa que minhas forças me permitem fazer. Enquanto isso, a Ana está encarcerada até as nove da noite num treinamento do trabalho com um xamã da Chapada Diamantina. Pena que ele não deve dar nada para o pessoal viajar - senão eu pediria para ela traficar um barato pra mim. Estou com uma pilha de coisas para fazer, não sei por onde começar e não tenho a mínima vontade de criar mais um parágrafo para este texto. Eu estou com tanta preguiça mental que precisaria dormir 48 horas seguidas para me fazer um sujeito novo em folha. Como isso não é possível, irei recorrer a meio (i)lícitos para tanto. Não sei quais, mas procurarei.
Preciso: fazer três trabalhos para a faculdade, sendo que um deles é uma história em quadrinhos com um assunto de Lingüística (até o próximo sábado 15!); elaborar o relatório da minha viagem a Curitiba, tanto a cópia para os meus superiores quanto a para o blog; colocar no ar o site da BIT, porque está mais do que na hora; terminar a minha leitura de O Retrato de Dorian Gray e Maus, ambos emprestados; assistir aos últimos DVDs que comprei com a Ana; migrar o blog do blogsome para o wordpress; saber o que vai ser do projeto que o Hector e eu bolamos; escrever roteiros pendentes e novos.
Devo ter deixado algumas coisas de fora por pura falta de memória, mas com tanto para se fazer, é melhor atentar o que eu ainda lembro.
Fiquei coçando os dedos para publicar aqui a história de um amigo meu.
Trocando e-mails com o dito cujo nos últimos dias, ele vai e me conta hoje uma história sobre sua ida recente a uma casa de tolerância - até aí, nada demais. O desenrolar dos fatos é que me fizeram conter as gargalhadas aqui no trabalho.
Pedi permissão a ele para jogar no blog o causo, e o amigo deu um tapa no texto e o enviou redondinho via e-mail novamente. A seguir, a crônica do camarada, que terá seu nome preservado por razões óbvias.
Data: Thu, 13 Sep 2007 09:20:51 -0300 (ART) [09:20:51 BRT]
De: xxx@xxx.com.br
Para: Pablo Casado < pcasado@gmail.com >
Assunto: para Pablo Gump
A semana passada não estava sendo convidativa pra um belo dia de aula. E na quarta não seria diferente. Apenas uma aula, de uma hora, em um prédio diferente. Todos secos pra sair e beber, pra relaxar depois de uma semana sem aulas. E o professor, como todo bom colaborador, não veio.
E foi assim que eu e mais 4 amigos resolvemos sair e fomos pra um bar. Só que dessa vez variamos. Se a lógica mandava irmos aos mesmos botecos sebosos de sempre, todos perto da faculdade, desta vez fomos um pouco mais longe. E isso às 16h. De uma quarta-feira.
O dono do local parecia que tinha acabado de instalar a Sky em seus estabelecimento. Ele não parava de mudar de canal, a ponto de irritar qualquer um, pois insistia em deixar nos canais mosaicos. Ou naqueles que não existem, com a tela preta. Quando não, ficava vendo propaganda dos filmes pay-per-view. Pra finalizar a chatice, parou na TV Câmara. Aí já era demais.
Entediados e sozinhos no local, resolvemos ir pra outro lugar. Lá pelas 20h, decidimos ir pra uma casa de tolerância, estilo Night Club. Essas coisas.
Um adendo: pra quem ainda não sabe, eu tenho asma. Nunca mais havia tido crises; só raras vezes acordava no meio da noite com falta de ar. Contudo, desde o final do mês passado que estou tendo crises freqüentes. E nesse dia não foi diferente. Mas eu tava legal, até que…
Voltando.
Quando chegamos lá, tinha uma quantidade razoável de gente e nada de rolar um streapzinho. Um amigo chamou logo uma menina lá e ficou praticamente namorando, de tão encolhido que estava pra falar com a moiçola. E o papo fluía como nunca. Vi a hora dele chamá-la pra tomar sorvete no shopping num domingo. Conversa vai, conversa vem e nós decidimos ir pra sala VIP. Por dois motivos bem simples. Primeiro porque não tava rolando nada lá (saímos do local depois das 22h e não tinha rolado streap ainda. O segurança falou que só depois dos jogos do Campeonato Brasileiro é que o local esquentava. Vai saber). Segundo porque eu já tava agoniado naquele abafado. O local é muito quente e a fumaça de cigarro não ajuda em nada. E na sala VIP aquele ar condicionado iria calhar. Pelo menos, era o que eu pensava.
A namoradinha do meu amigo não fazia streap (e quem nesse mundo iria querer que ela fizesse?) e chamou uma coleguinha que fazia. A amiguinha topou na hora e lá vamos nós pro primeiro andar. No caminho, este meu amigo namorador, chama mais uma menina pra ficar lá em cima com a gente, na safadeza. E ela não vai só: leva logo mais duas amiguinhas. Doce ilusão: achavam que estávamos com grana.
Lá em cima só fiz piorar com o cigarro naquele cubículo gelado. Meu amigo continuou namorando com sua baixinha toda adiantada. A garota não parava de tirar sarro da minha cara, falando que meu problema era falta de mulher e que eu morreria a qualquer momento.
E eu piorando.
Tava quase sem respirar. Uma das garotas que subiu disse que eu tava mal mesmo, que não era brincadeira, não. Falou até o nome dos remédios que eu tomava pra asma na nebulização, porque o filho pequeno dela também tinha. Pra piorar, minha namorada não parava de ligar pra mim. E como se não bastasse o meu sofrimento, as músicas de streap são as mais tristes que existem no mercado.
Juro que só não chorei porque não conseguia respirar.
No final, a namorada do meu amigo falou que meu problema era bater punheta demais e isso dificultava minha respiração.
Não vou mais lá. E meu pau não levanta também.
Coisas que você não gostaria de fazer numa noite de domingo
Posted at: 1:56 am, filed under: Cronismo Diário.Ah, merda.
São 22:39 da noite de domingo e eu não consegui terminar o meu super-relatório sobre a minha viagem a Curitiba. E não, não falo da crônica que pretendo publicar aqui no blog. Esta faço amanhã, quando estiver com a cabeça mais fresca de certas tensões. Falo (ou escrevo, leiam como quiserem) sobre o relatório que pretendo/devo entregar para (impressionar) a minha chefe.
Porque mais de uma pessoa lá no serviço comentou que, em anos, essa foi a primeira vez que ouviram falar de um estagiário viajou inter-estadualmente a trabalho - com direito a diária e tudo. Claro: fui a última opção do pacote, o que não significa que seja algo ruim. Pelo menos, me consideraram. E, no fim das contas, me mandaram para Curitiba.
Fui um excelente “temporário” (termo que seria usado caso eu fosse um estagiário da série The Office) e pretendo ter meu contrato renovado. Quem sabe um dia me contratem. Estou gostando de trabalhar na área de educação (não necessariamente como professor, já que não é isso que faço atualmente), e ser contratado pela instituição na qual trabalho seria um grande passo.
Deixei a Ana neste domingo, assim como a reprise de Project Runway - nosso último programa do dia antes de irmos pra cama -, para cair de cara no teclado e escrever um relatório glorioso sobre o que presenciei na capital do Paraná. Mas eu simplesmente não consigo. O sono está batendo e sinto que precisaria fumar um cigarro para fazer as idéias circularem com maior facilidade.
Agora faltam 5 pras 23 horas e eu aqui, travado. Cérebro, não era hora pra isso. Não era mesmo.

