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A Carla (Castellotti) queria entrevistar a Clarah (Averbuck). Mas a Clarah fez doce pras perguntas da Carla:

Chegou o dia de ENTREVISTAR a minha escritora. Escrevi seis perguntas, e pra ser bem sincera, minha fé era tamanha que nem me passou pela cabeça que ela fosse recusar dar alguma resposta. Pois recusou. E me deixou matutando, fumando aquele cigarro amargo da frustração. […]

Eu sempre estive avisada que esse altar era falso. Deus não existe. E cultuar imagens imaculadas é no mínimo perigoso. O artista é só uma pessoa que acorda com o saco na lua, e melhor que as outras dilacera sensações ao invés de simplesmente espremer a laranja e partir para o trabalho sem qualquer questionamento.

Desconstruir nossos ídolos é uma etapa dolorosa no processo de amadurecimento do indivíduo, mas será sempre pertinente. (In)felizmente.

A entrevista em questão será publicada na terceira edição do Gaveta, com lançamento marcado para meados de dezembro.

Aproveito e parabenizo a Carla e o Ramiro pela publicação, no último sábado, da resenha sobre Lugares que não conheço, pessoas que nunca vi e da entrevista com sua autora Cecília Giannetti, respectivamente, no Caderno B do jornal Gazeta de Alagoas.

Ambos os textos foram publicados originalmente na segunda edição do Gaveta, lançado no começo deste mês de novembro.

Uma pena que a entrevista com a Clarah, provavelmente, não venha a ter/merecer o mesmo destino.

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Roubado da(o) (fotolog) da Carla. Para quem for da terra da garoa, está dada a dica.

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A Carla jogou o .pdf da segunda edição do Gaveta lá nas bandas do Overmundo. Dá um pulo por lá e baixa de grátis. A única coisa que pedimos em troca é o seu voto - que será efetivado mediante um cadastro de um minuto no portal - para levar o zine a primeira página do site.

Aproveite e leia a resenha do lançamento dessa segunda edição e o Prensas, a minha crônica publicada nela.

A equipe agradece.

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Quando moleque, a grana que eu conseguia — e nem digo necessariamente que era uma mesada; estava mais para uma ajuda de custo implorada por mim — era dividida para gastos com revistas em quadrinhos, cinema e sair com os amigos. Mais gibis do que tudo, admito.

A leitura dos quadrinhos me estimulou, como muitos outros leitores dessa linha, a buscar por livrinhos sem figuras ilustrativas. O que não significa que, aos 14 anos, pude montar a minha biblioteca particular de clássicos da literatura. Se hoje livro é caro, imagina, lá pelos meados dos anos 90, um pirralho que tinha pouco poder de fogo no bolso e queria curtir a adolescência?

O tempo passou, a mesada subiu e, nessa época, eu já freqüentava religiosamente os alfarrábios no centro de Maceió. Não era difícil me ver levando, no meio dos gibis, um ou mais exemplares com historietas apimentadas da Brigitte “Baby” Montfort ou alguma Isaac Asimov Magazine encontrada ao acaso.

Hoje, faturando a minha própria grana, me tornei o típico consumidor compulsivo: frustrado de longa data por não poder cometer atrocidades financeiras no intuito de suprir carências de cunho cultural/nérdico/literário, não posso ver um livro de capa bonitinha, do gênero que eu gosto, daquele autor que recomendaram ou sobre o qual falaram bem, que passo o cartão ou saco o papel do Banco Central da carteira.

Isso gerou, no entanto, um acumulo de coisas não lidas na estante lá de casa. E com a minha mania de ler dois ou três livros ao mesmo tempo, a demora em concluí-los é previsível. Incentivado pelo James, que me recomendou fazer um post sobre as coisas que ainda não li, decidi ir além: vou escrever uma “coluna” periódica sobre tais livros.

Nesta coluna de estréia, três livros emprestados, iniciados e, obviamente, ainda não concluídos.

ENSAIO SOBRE A CEGUEIRA, José Saramago

Primeiro livro de Saramago a cair nas minhas mãos. Peguei emprestado do meu cunhado. Nobel da Literatura, falado bem a torto e a direito na mídia, recomendado por conhecidos… mas nunca tinha tido a oportunidade de colocar nas mãos nada dele. O que não significa que sai a procura, também.

Estimulado pela adaptação cinematográfica do livro pelo diretor Fernando Meireles (Cidade de Deus, catzo) e seu excelente blog sobre a produção, o livro deu as caras na minha frente e decidi tomá-lo de empréstimo.

Interrompi o livro no momento em que o comboio de cegos é jogado numa unidade de contenção contra a “epidemia” de cegueira: um hospício caindo aos pedaços.

O romance não sofreu tradução do português utilizado em Portugal para o tupiniquim por exigência do autor. O que, ao meu ver, não é um problema: a experiência da leitura se torna ainda mais interessante. Ao final do primeiro capítulo, meu cérebro já havia se acostumado com a ausência das vírgulas e o modo feroz como os diálogos são montados.

Saramago costura a trama sem precisar nomear nenhum dos personagens, fazendo com que os identifiquemos graças a profundidade das personalidades que traçou. Uma aula de narrativa e caracterização.

O RETRATO DE DORIAN GRAY, Oscar Wilde

De Wilde, só havia lido uma coletânea com seus diversos aforismos. Joel, meu camarada, ficou me torrando para levar emprestado O Retrato de Dorian Gray — eu estava sem tempo, com outros livros na frente e fiquei empurrando com a barriga. Até que ele me entregou o livro e disse preu ler quando pudesse.

Levei para a minha viagem a Curitiba e, nos aeroportos e aviões da vida, fui lendo.

Se pelos seus aforismos fiquei com a impressão de Wilde ser um filho da puta que te encanta com palavras saborosas e frases de acerto imediato, com o que li de Dorian Gray a ficha caiu. O livro é como uma pluma ao vento: ora tranqüila, suave; noutro momento, revolta com quando a brisa se transforma em ventania.

Parei no capítulo onde a musa de Dorian cai em desgraça diante de seus olhos e de seus dois grandes amigos, figuras que disputam a sua atenção e afeto. Segundo o Joel, depois daí a coisa pega fogo.

MÃOS DE CAVALO, Daniel Galera

Eu conheci dois Daniel Galera: o de seu fechado blog, Ranchocarne, e o de Dentes Guardados, seu livro de contos disponível para download. Admito que os textos do blog me agradaram mais.

Gostei de alguns dos poucos contos que li de Dentes Guardados, ficando incomodado com o estilo da escrita em certos momentos: parecia emular uma atitude poser em detrimento do desenvolvimento de uma boa narrativa.

No blog, Galera me ganhou falando de seu cotidiano, dos livros que lia e dos filmes que assistia. Um de meus posts preferidos, por exemplo, foi o que ele escreveu sobre O Labirinto do Fauno. Uma pena este e outros textos não estarem mais disponíveis.

Agora eu conheço um novo Galera que, segundo a crítica, amadureceu como escritor no romance Mãos de Cavalo — me emprestado pelo Ramiro entre copos de cerveja no lançamento do Gaveta #2.

Estou com o livro na minha bolsa, andando com ele para cima e para baixo. Parei no começo do quarto capítulo, acho, quando o protagonista e um amigo seu estão prestes a fazer uma perigosa escalada.

Vou terminar o quanto antes: não porque eu quero devolver logo, e avisei ao Sr. Ramiro como sou preguiçoso nesse negócio de devolver livros; mas porque me cativou o começo da história do Ciclista Urbano e o jogo de bola no terreno baldio. Não é assim com as coisas com as quais você se identifica?

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O sol do último sábado era daqueles de deixar o couro humano em tom crocante - o tipo que tudo quanto é turista pálido do sul quer conseguir quando dá as caras por aqui -; capaz, obviamente, de deixar nossas roupas mais pesadas graças ao suor vomitado aos montes pelos poros.

Ana e eu botamos nossos pés na rua lá pela 16 e 10 da tarde. Nosso destino já estava certo no mapa astral etílico do referido fim de semana: Botequim Paulista, lugar de caber na palma da mão, lá nas bandas da Amélia Rosa. O motivo: lançamento da segunda edição do fanzine Gaveta.

BRITÂNICOS

Eu, Ana, Carol e Ramiro O encontro estava marcado para as 16 horas. A Carla pediu uma postura britânica quanto ao horário. Mas alguém tinha que bancar o poser da história, e como precisei resolver umas pendengas antes do lançamento, Ana e eu acabamos chegando no Botequim lá pelas 16 e 20.

Para a nossa surpresa, não fomos nem de longe os descolados atrasados do lançamento: chegamos primeiro que todos e, ainda por cima, quando o bar estava sendo aberto. Maravilha.

Nos jogamos numa das mesas e pedimos uma gelada. Se lá pelas cinco ninguém desses as caras, bem, íamos embora. Paciência.

CONFRATERNIZAÇÃO

Não havíamos terminado a primeira garrafa quando, no horizonte (leia-se dobrando a esquina), vimos um pequeno bando se aproximar. Identifiquei, de cara, o Ramiro e Carol entre eles. Menos mal.

Nos cumprimentamos, saudamos a Carla (que só conhecíamos da virtualidade) e as convidadas que eles trouxeram. Colocamos mais uma mesa e outras cadeiras, pedimos mais copos e outra cerveja. Não demorou para que mais convidados chegassem. Inclusive a Larissa. Convidados do Gaveta

O lançamento da segunda edição do Gaveta passou das dez pessoas presentes, vejam só.

APAGÃO

Bebíamos, falávamos bobagens paralelamente, bebíamos mais e, vez por outra, comentávamos sobre quem ia para o show do Nando Reis, a rola naquela mesma noite. E bebíamos mais.

Até que, antes da noite cair de fato, ficou escuro de repente. De repente de fazer todo mundo levantar os braços e gritar êêêêê. Muita sorte faltar energia bem no meio daquela orgia alcoólica, e que meio servia de esquente para o show do Nando e os Infernais.

Da esquerda para direita: Eu, Ana e Carol, RamiroAlguns ligaram e descobriram que havia faltado energia na cidade toda. Que meda.

Com a previsão da luz voltar lá pelas duas da manhã e a possibilidade enorme do cancelamento do show, novas garrafas de cerveja chegavam à mesa numa velocidade ainda maior. E por que não?

Carla, Daniel, Ramiro e Larissa entornaram uma rodada de sagatiba (esse o nome daquele veneno, right?), enquanto Ana, eu e Carol estávamos satisfeitos em ficar com a loira fria e a cria de Piotr Smirnov, respectivamente.

Melhor prevenir e não misturar para depois não dar zica, né, Ramiro?

HAJA LUZ

Quando a luz voltou, lá pelas 20 - ou depois dela -, eu já não sabia quantos copos havia bebido. Cigarros devem ter sido uns 5. Hm, 6. 7 de palha, vai memória. O show do Nando Reis pareceu ser algo tangível novamente.

Ficamos mais um pouco. Já havíamos conversado bobagem, putaria, sobre o maníaco, drogas - o que levou a uma velhinha sem noção a se meter no meio do papo e clamar pelos bons costumes e a moral; Ana deu-lhe uma cortada que a véia foi buscar a dentadura em casa - e outras coisas.

Convidada, Carla, Daniel e LarissaPerto das 21, deixamos nossa colaboração para a conta, nos despedimos contentes e fomos embora.

O show do Nando não rolou (porque o hotel vizinho ao lugar da apresentação entrou com uma ação judicial, alegando poluição sonora, em cima da hora), eu fui dormir bêbado e sujo, vomitei lá pelas 5 da manhã, e só uma coisa ficou certa no meu domingo de ressaca:

O lançamento do Gaveta #2 foi um sucesso. Porque as pessoas fizeram acontecer.

* * *

As fotos que ilustram este post foram tiradas pela (ou com a máquina da) Larissa. Ela publicou mais algumas no seu fotolog aqui e aqui. O mesmo fizeram a Carla e o Ramiro. As demais fotos da Larissa estão no meu flickr.

Aproveite e leia Prensas, minha crônica publicada nessa edição do zine.

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Preciso tomar vergonha na cara e tirar a poeira dos livros na minha estante que necessitam ser lidos. Sejam os que foram interrompidos pela metade ou os que foram cuidadosamente guardados e estão na fila de espera. Alguma coisa me diz que devo lê-los logo.

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Convite Gaveta

Lançamento da segunda edição do fanzine Gaveta, capitaneado pela Carla, Carol e Ramiro e com colaboração de um bocadinho de gente. Dentre elas, este que vos digita.

Recebi o convite via e-mail da Carla e imagino que a divulgação seja irrestrita a todos da terrinha que estejam afim de conhecer o trabalho da galera.

“Sejam ingleses”, hah.

Quando o zine cair em campo, publico aqui a minha crônica que integra o seu miolo. Aproveito para agradecer o Ramiro e as meninas pelo convite e o espaço aberto para colaborar.

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Rodolfo S. Filho leu Crooked Little Vein, primeiro romance do escritor Warren Ellis, e constatou algo que eu já esperava: se você está familiarizado com o modus operandi das histórias do velho bastardo britânico nos quadrinhos, com certeza não vai encontrar nada de novo no livro, mas com certeza vai se divertir. Será que nenhuma editora de quadrinhos como a Conrad ou a Devir não vai se interessar em jogar o material nas livrarias preu tirar a prova?

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Fãs espanhóis do menino-bruxo Harry Potter traduziram o sétimo e último livro da série, …and The Deathly Hallows, para o seu idioma pátrio e colocaram uma versão em .pdf na rede - disponível em formato de blog ou para download direto.

Nenhuma notícia ainda da versão em português.

Fonte: BoingBoing.

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Enquanto os fãs britânicos, norte-americanos e os milhares de outros leitores que adquiriram o sétimo e último livro da série Harry Potter, […] the Deathly Hallows, em inglês, os brasileiros terão que aguardar até novembro para ler em português o desfecho da saga do menino-bruxo mais famoso da literatura mainstream.

Isso ou puxar a edição virtual que alguns fãs, liderados por uma menina de 14 anos, estão se preparando para lançar em breve - utilizando a cópia que vazaram para rede dias atrás, logo após o lançamento oficial do livro.

Os mais adiantados, como eu (que mesmo não tendo lido do quarto livro em diante), sempre podem contar com a Wikipédia. Li e fiquei levemente broxado com o final, que não teve o peso devastador que se esperava e que foi criado pelo hype; mas, de certo modo, foi condizente com tudo que o personagem encarou ao longo dos seis livros anteriores.

Felizmente, sempre podemos contar com os finais alternativos dos fãs para nos divertir.

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